Forte subida das exportações de carros da China 'graças' a eletrificados
- 14/01/2026
Em 2025, as exportações de automóveis da China avançaram 21 por cento. É um crescimento pronunciado que se deve em muito aos veículos eletrificados (híbridos e elétricos), e que contrasta com a diminuição da procura interna.
À medida que os fabricantes chineses expandiram ainda mais a sua presença nos mercados externos, as exportações de veículos de novas energias, como os elétricos (EV) e os híbridos, duplicaram face ao ano anterior, atingindo 2,6 milhões de unidades, segundo a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis.
No conjunto, as exportações de veículos da China ultrapassaram as 7 milhões de unidades, um aumento de 21 por cento, em termos homólogos.
Espera-se que as exportações de automóveis chineses continuem a crescer este ano, à medida que os fabricantes tentam contornar uma guerra de preços cada vez mais intensa no mercado interno, num contexto de enfraquecimento da procura.
As vendas de automóveis de passageiros na China, o maior mercado automóvel do mundo, abrandaram ainda mais em dezembro, disse a associação. As vendas caíram 18 por cento, em termos homólogos, após uma descida de quase sete por cento em novembro.
Mais rentabilidade no estrangeiro
O banco Deutsche Bank estimou recentemente que as exportações chinesas de veículos de passageiros crescerão 13 por cento, em termos homólogos, em 2026.
Os economistas do banco referiram, num relatório recente, que os mercados externos oferecem uma rentabilidade relativamente mais elevada para os fabricantes chineses, além de um crescimento mais rápido.
Na segunda-feira, a China e a União Europeia afirmaram ter chegado a acordo sobre medidas para resolver o impasse em torno das exportações de veículos elétricos fabricados na China para o bloco, um desenvolvimento que, segundo analistas, deverá impulsionar ainda mais as exportações chinesas de EV para a Europa.
O secretário-geral da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros, outro organismo do setor, previu que as exportações chinesas de veículos elétricos para a UE aumentariam, em média, cerca de 20 por cento por ano entre 2026 e 2028.
Atualmente, os mercados externos representam menos de dez por cento das receitas da maioria das vendas dos fabricantes chineses, embora os principais atores, como a BYD, tenham uma contribuição maior das receitas internacionais, afirmou Stephen Chan, diretor-adjunto da S&P Global Ratings. "Acreditamos que essa contribuição (externa) deverá aumentar nos próximos dois anos à medida que as exportações se expandem", disse.
Os principais destinos das exportações deverão continuar a ser a Rússia, a América Latina, o Médio Oriente, a Europa e o Sudeste Asiático, que em conjunto representaram cerca de 70 por cento do volume de 2025, acrescentou.
No entanto, mercados como a UE, os Estados Unidos e o Canadá impuseram tarifas mais elevadas sobre as exportações chinesas de veículos elétricos.
A BYD ultrapassou a Tesla como o maior fabricante mundial de veículos elétricos em 2025. No entanto, em dezembro, a BYD reportou apenas 420.398 entregas de todos os tipos de veículos, uma queda de 18 por cento face ao ano anterior, devido à fraca procura interna e ao aumento da concorrência.
O mercado interno tem beneficiado de subsídios governamentais para a troca de veículos usados, destinados a incentivar mais pessoas a mudarem para carros elétricos, mas a procura abrandou porque alguns governos regionais suspenderam ou reduziram esses subsídios nos últimos meses, segundo analistas.
As vendas internas de automóveis de passageiros deverão cair ainda mais em 2026, afirmou Paul Gong, responsável do banco suíço UBS.
Os subsídios governamentais para novos automóveis de passageiros estão a mudar este ano de taxas fixas para um sistema baseado no preço do veículo novo, fazendo aumentar a pressão sobre as vendas de carros mais baratos, de acordo com analistas da S&P.














