Fora das praias, a maior árvore de Cabo Verde atrai cada vez mais turistas
- 30/11/2025
"É o lugar mais visitado de Santa Catarina", diz Adilson Tavares, vereador daquele município da ilha de Santiago, ao lado de um guia e outros residentes que, apesar de não terem uma contagem, garantem haver um aumento de visitantes nos últimos anos.
Na nova estratégia do país para diversificação do produto turístico - mostrando que Cabo Verde tem mais do que praias - o gigante poilão serve de exemplo do que a natureza tem para mostrar, com história à mistura.
"Tem mais de 500 anos, é um símbolo de resiliência, de luta, de quem nunca desiste, de quem nunca se verga. Acabamos por nos identificar com esta árvore", diz o vereador, que desde criança conhece o local.
É uma árvore capaz de reunir uma pequena multidão debaixo da copa, que se ergue a cerca de 30 metros de altura.
Como num filme, o tronco é gigante e o tempo moldou a base com dobras retorcidas, como se fossem barbatanas, tão altas que permitem a qualquer pessoa esconder-se entre elas, como exemplifica Ednei Moreira, guia turístico.
"A cada época os turistas crescem" e são mais alemães e franceses, refere, pouco antes da chegada de mais um grupo de dezenas de visitantes estrangeiros, que por ali fica durante largos minutos.
Este é um dos locais fotografados e filmados com frequência para as redes sociais e outras publicações na Internet pelos visitantes da ilha de Santiago, como ponto de paragem de caminhadas cujo percurso passa pelo município de Santa Catarina.
Este é também o lar de várias aves, como a garça-vermelha, pombas, entre outras que se avistam no topo, aponta Ednei aos visitantes -- houve anos em que se pensou que a árvore tinha secado, mas as folhas voltam sempre a rebentar.
"É um milagre da natureza, uma coisa maravilhosa, verde e grande num país pequeno, é um bom símbolo", diz Klaus Zimmermann, visitante austríaco, adeptos do "turismo rural, mais calmo" do que nas praias.
Noutro grupo de turistas da Estónia, Maris Laja conta como está contente pelos dias que está a passar na ilha de Santiago, "por causa das pessoas, da natureza e da história. Tem sido uma ótima semana aqui em Cabo Verde".
A árvore centenária beneficia agora de um parque, fruto da requalificação em redor, com escadaria, caminhos, zona de lazer e esplanada para acolher grupos de turistas que antes não tinham grandes comodidades no local.
Acesso ao local é acidentado
Mas o acesso ainda é difícil, por caminhos muitos estreitos, esburacados ou em terra batida, arriscados para veículos ligeiros e sem marcação - é preciso ir fazendo perguntas ou seguir dicas publicadas na Internet.
A população de Boa Entrada já há muito que pede outras condições.
Ivandro Tavares, residente e gerente a esplanada junto à árvore, tem várias queixas: "a estrada está em péssimo estado, falta iluminação e manutenção. É preciso aproveitar melhor aquilo que temos".
O vereador reconhece que a estrada é "o calcanhar de Aquiles" num lugar "com tanta afluência de turistas", mas promete que as obras vistas nalguns troços do caminho vão ajudar a resolver o problema.
O vale vigiado pelo grande poilão é um dos raros locais sempre verdejantes no arquipélago árido, graças a uma nascente viva durante todo o ano, impulsionando a agricultura local e que abastece o resto da ilha.
O turismo vai crescendo - devido à abertura de novas rotas aéreas europeias de baixo custo - e todos esperam que, com a ajuda do centenário poilão, mais visitantes possam impulsionar o desenvolvimento local.
Mas ainda há um caminho a fazer.
Uma análise divulgada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), em fevereiro, concluiu que só as ilhas do Sal e Boa Vista, que concentram as cadeias hoteleiras internacionais com a oferta de sol e praia, já conseguiram superar o fluxo turístico de 2019.
As restantes continuam abaixo dos números de visitantes registados antes de a pandemia de covid-19 irromper, apesar de o arquipélago bater recordes de hóspedes, ano após ano (1,2 milhões de hóspedes em 2024).
Diversos estudos defendem uma aposta em segmentos de maior valor acrescentado, como o turismo de natureza e caminhadas, nichos de mercado em redor das quais as autoridades têm promovido estudos e debate, na esperança de atrair investimentos.
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