Final de 1961/62 com Benfica foi auge de António Simões
- 15/02/2026
"O terceiro lugar no Mundial1966 [com a seleção portuguesa] foi um êxito fantástico, que ficou na história e surpreendeu todo o mundo, mas foi a confirmação, através do maior acontecimento no futebol, de uma geração muito ligada ao Benfica. Antes de eu aparecer, já havia gente que tinha conquistado a Taça dos Campeões. Não éramos uns desconhecidos", lembrou à agência Lusa o antigo avançado internacional português, de 82 anos, que representou as 'águias' entre 1961 e 1975.
Em maio de 1962, em Amesterdão, nos Países Baixos, o Benfica venceu o Real Madrid (5-3), então já com cinco êxitos na então designada Taça dos Campeões Europeus, revalidando o troféu conquistado na época anterior perante os também espanhóis do FC Barcelona (3-2), em Berna, na Suíça.
José Águas, Domiciano Cavém, Mário Coluna e Eusébio, por duas vezes, incluindo um golo de penálti, construíram a vitória dos 'encarnados', com o húngaro Ferenc Puskás a fazer um 'hat-trick' pelos madrilenos, que até venciam ao intervalo por 3-2 e contavam ainda com Alfredo Di Stéfano e Paco Gento.
"Imagine o que é ter 18 anos, olhar para o lado e ver Di Stéfano, Puskás e Gento, que já tinham vencido várias Taças dos Campeões. Interroguei-me sobre o que estava ali a fazer, mas, depois, percebi que tinha muito para fazer e fiz. Olhando para estes nomes extraordinários, nunca nos devemos intimidar, mas motivar-nos para tentar fazer coisas como eles faziam. Isso encheu-me de desejo. Há alguma coisa melhor do que sentir que, do outro lado, está a magia, a categoria e o futebol de qualidade? Essa é a primeira grande motivação que devemos ter para imitar alguém que é grande", notou António Simões.
Aos 18 anos e 139 dias, o ex-capitão do Benfica tornou-se o mais novo a jogar e a vencer uma decisão da principal prova europeia da UEFA, que as 'águias' nunca mais arrebataram, ao contrário do Real, recordista de êxitos (15), nove dos quais desde a criação da Liga dos Campeões, em 1992/93.
"Béla Guttmann [então treinador do Benfica] teve ao intervalo uma palestra de convencimento e crença plena de que era possível inverter o resultado. Foi um discurso de grande motivação. Ele dizia que o Real Madrid estava velho e cansado e que nós éramos jovens e tínhamos mais energia e raça. Foi um momento emocional, que nunca esquecerei e permitiu no fim essa exaltação de vencer a equipa mais forte que havia na Europa", partilhou.
Os dois clubes voltaram a enfrentar-se na mesma década, em 1964/65, e os 'encarnados' impuseram-se nos 'quartos' da Taça dos Campeões (5-1 em Lisboa e 1-2 em Madrid), tendo António Simões marcado na primeira mão.
"Não conheço outra equipa que tenha feito 10 golos ao Real em dois jogos. Naquele tempo, o Benfica pôs Portugal no mapa. Não descobrimos o mundo, mas demos a conhecer quem éramos", defendeu, sem esquecer a "ajuda preciosa" dos atletas oriundos das antigas colónias portuguesas no sucesso futebolístico de um "país tão pequeno, mas com tanto talento".
Benfica e Real Madrid disputam a partir de terça-feira o play-off de acesso aos 'oitavos' da Liga dos Campeões, estando os lisboetas "à procura de história", a exemplo de 28 de janeiro, quando ganharam aos 'merengues' em casa (4-2), no fecho da fase de liga, e garantiram a continuidade na prova com um golo do guarda-redes ucraniano Anatoliy Trubin, aos 90+8 minutos.
"José Mourinho é excelente na motivação. Os atletas têm de ouvir o treinador e acreditar no que é possível fazer. Isto atrai confiança para poder jogar bem. Não é possível jogar mal e ganhar a um adversário desta qualidade. Pede-se que todos tenham qualidade, trabalhem e não tenham receio", apelou António Simões, totalista nos três encontros na década de 1960, a par de Costa Pereira, Germano, Fernando Cruz, Coluna, Cavém, José Augusto e Eusébio.













