Filhos de Jimmy Lai afirmam que sentença mancha reputação da justiça
- 09/02/2026
Em declarações a jornalistas por videoconferência, a filha do ativista, Claire Lai, considerou a sentença "a mais severa aplicada ao abrigo da lei de segurança nacional", que qualificou como "um ataque deliberado à verdade e à liberdade".
"A base da condenação é absurda. Estes juízes destruíram a reputação judicial de Hong Kong e agem de forma deliberada para prolongar o processo e afastar a atenção internacional", afirmou Claire Lai, a partir de Washington.
Sebastien Lai, filho mais velho do fundador do extinto jornal Apple Daily, disse que "foram necessárias décadas para estabelecer o prestígio internacional do sistema judicial de Hong Kong, e em cinco anos o governo conseguiu destruí-la".
"Devastado" com a decisão, mas não surpreendido, disse, a partir de Londres, que a sentença de 20 anos "é uma farsa" e "na prática, uma pena de morte" porque, nas condições em que está detido o pai, "não sei se viverá sequer um décimo desse tempo".
A irmã, que visitou o pai na prisão, denunciou o agravamento do estado de saúde do empresário de 78 anos e a falta de acompanhamento médico, referindo que este sofre de diabetes e de problemas cardiovasculares.
"Não tem acesso à luz solar direta nem a ar fresco, nem sequer durante a hora de exercício. Tudo indica que as condições em que vai continuar detido vão piorar", alertou.
Sebastien Lai referiu que o comportamento do pai durante a audiência, "estoico e com um sorriso de desafio", foi um momento "agridoce", simbolizando "a recusa em ceder ao medo".
O filho do ativista apelou à intervenção do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cuja eventual visita em abril à China "pode ser crucial", e do Reino Unido, pois Jimmy Lai é um cidadão britânico.
"A nova política do Reino Unido relativamente à China é uma normalização das relações. Mas as relações não podem ser normalizadas até que o meu pai seja liberto", vincou.
Jimmy Lai foi condenado sob a Lei de Segurança Nacional de Hong Kong de "conluio com forças estrangeiras" e "publicação de material sedicioso".
O tribunal, que citou mais de 160 artigos do jornal Apple Daily como prova, decretou hoje a sentença, dois meses após o veredicto de culpado ter sido emitido, em dezembro de 2025.
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