Festival de Berlim começa hoje e reflete estado do cinema internacional
- 12/02/2026
Serão mais de 200 filmes programados para a 76.ª edição da 'Berlinale', com a diretora artística, Tricia Tuttle, a sublinhar a diversidade na escolha das obras, com o objetivo de "refletir o estado atual do cinema internacional", como afirmou em entrevista à agência France-Presse.
"Muitos filmes examinam a forma como as nossas vidas privadas são moldadas pelas grandes forças políticas e sociais", acrescentou.
O festival abre com "No Good Men", terceira longa-metragem da realizadora afegã Shahrbanoo Sadat e cuja história se situa no Afeganistão em 2021, pouco antes do regresso ao poder dos talibãs, que defendem uma interpretação severa do Islão.
Segundo Tricia Tuttle, o filme aborda "a experiência das mulheres afegãs [naquele contexto] de uma forma que não veríamos sem o trabalho de Shahrbanoo", cineasta que conseguiu sair do Afeganistão para se radicar na Alemanha.
Com o realizador alemão Wim Wenders a presidir ao júri oficial, a competição oficial de longas-metragens inclui, entre outros, os filmes "Rosebush Pruning", do brasileiro Karim Ainouz, uma sátira familiar sobre uma disputa entre irmãos, e que conta no elenco com Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell, Elle Fanning e Pamela Anderson.
Na mesma competição estão "Josephine", da norte-americana de ascendência brasileira Beth de Araújo, a animação japonesa "A New Dawn", de Yoshitoshi Shinomiya, "At the Sea", do húngaro Kornél Mundruczó, protagonizado por Amy Adams, "Everybody Digs Bill Evans", de Grant Gee, sobre o pianista de jazz.
A atriz malaia Michelle Yeoh vai receber um prémio de carreira, sendo ainda a protagonista, em múltiplos papéis em simultâneo, da curta-metragem "Sandiwara", do realizador Sean Baker.
A participação portuguesa no festival passa pelas coproduções, nomeadamente em "Nosso Segredo", da brasileira Grace Passô, que está na competição "Perspetivas". O filme debruça-se sobre uma família que "vagueia pela casa em silêncio, lutando para reconstruir as suas vidas após uma perda recente", segundo o festival.
A produtora portuguesa Bam Bam Cinema, do realizador Paulo Carneiro, terá duas coproduções com a Colômbia em estreia em Berlim: a longa-metragem "Pedras Preciosas", de Simón Vélez, na secção Fórum, e a curta-metragem "Filme Pin", de Maria Rojas Arias e Andrés Jurado, no programa Fórum Expandido.
Rodado em Portugal, "Filme Pin" é um retrato sobre a ditadura do Estado Novo, a partir de uma coleção de crachás que pertenceu ao médico e antifascista Carlos Plácido (1925-2013), que esteve envolvido nos anos 1960 na fuga de militantes comunistas da prisão na Fortaleza de Peniche.
Em Berlim, no programa Panorama figura "Narciso", de Marcelo Martinessi, uma produção que junta Paraguai, Alemanha, Uruguai, Brasil, Espanha e Portugal (Oublaum Filmes).
No mercado dedicado ao audiovisual, em paralelo ao festival, serão mostradas as séries "Leonor, Marquesa de Alorna", produzida pela Ukbar Filmes, em coprodução com a espanhola Tornasol Media, e "Refúgio do Medo", série luso-islandesa rodada na Islândia, ambas para a RTP.
A atriz luso-cabo-verdiana Cleo Diára participa no programa europeu de talentos "Shooting Stars", também em paralelo ao festival.
A 76.ª edição do Festival de Cinema de Berlim termina no dia 22.
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