Ferraz Reis: Crime ou suicídio? Petição "exige a intervenção do Estado"
- 21/01/2026
O administrador português do Banco Comercial de Investimento (BCI), Pedro Ferraz Reis, foi encontrado morto, na noite de segunda-feira, 19 de janeiro, numa casa de banho do Hotel Polana, localizado em Maputo, Moçambique, apresentando vários golpes desferidos por arma branca. Inicialmente, as autoridades avançaram que se tinha tratado de um homicídio tendo, posteriormente, o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal, Hilário Lole, afastado a possibilidade de ter ocorrido um crime. Agora, há uma petição pública que pede o apuramento da "verdade dos factos".
De acordo com o Diário de Notícias, o lançamento da petição partiu de "familiares e amigos próximos", que pedem a intervenção do Estado. O documento - a que pode aceder aqui na íntegra - é dirigido ao Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
"Perante a incongruência das explicações que foram prestadas em relação à morte do cidadão português Pedro Ferraz Correia dos Reis, ocorrida a 19 de janeiro, em Maputo, Moçambique, vimos exigir a intervenção do Estado Português neste caso, com vista a apurar a verdade dos factos e a proteger a família deste nosso concidadão", pode ler-se na petição pública.
O documento refere ainda que tal é pedido atendendo a que "a investigação realizada pelas autoridades moçambicanas foi dada como concluída num curto espaço de tempo (horas), passando rapidamente da tese de homicídio a suicídio", considerando também que "a explicação de que o Pedro Ferraz Correia dos Reis 'saiu do seu local de trabalho para ir a sua casa tirar uma faca da sua cozinha, deslocando-se, depois, a um estabelecimento comercial para adquirir mais duas facas, seguindo depois para outro estabelecimento comprar veneno para os ratos, para, em seguida, cometer suicídio num hotel', é descabida e inimaginável".
Em terceiro lugar, é ainda destacado na petição, "todos aqueles que tiveram o privilégio de privar com o Pedro Ferraz Correia dos Reis não acreditam que ele seria capaz de pôr termo à vida desta forma."
Assim, "exige-se que o Estado Português intervenha no sentido de apurar a verdade dos factos e honrar a memória do Pedro Ferraz Correia dos Reis. O seu percurso de vida e o respeito pela sua família tornam obrigatória uma intervenção por parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros."
O Notícias ao Minuto já contactou o Ministério dos Negócios Estrangeiros - no sentido de perceber se está a acompanhar o caso - e aguarda retorno.
Primeira versão: homicídio. Mudou horas depois
De recordar que o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) de Moçambique confirmou na terça-feira que o cidadão português Pedro Ferraz Correia dos Reis se suicidou numa unidade hoteleira em Maputo, contrariando a primeira versão da polícia, de homicídio.
"Não houve dúvidas, do trabalho feito pela equipa técnica do Sernic, em coordenação com a medicina legal do Hospital Central de Maputo, onde também estiveram presentes os magistrados do Ministério Público, de que não havia dúvidas nenhumas, até ao presente momento, de tratar-se de um caso de suicídio, não homicídio, conforme tem-se propalado", disse Hilário Lole, porta-voz do Sernic.
De acordo com a polícia de investigação moçambicana, o cidadão português e administrador do banco BCI, subsidiária em Moçambique do grupo português Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do também português BPI, tirou a própria vida com recurso a instrumentos cortantes, nomeadamente facas, e ingestão de um veneno para ratos.
Anteriormente, a porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) na cidade de Maputo, Marta Pereira, tinha dito à Lusa que a morte do cidadão português era resultado de homicídio, avançando que investigações estavam em curso, com base nas fitas de gravação do referido hotel.
"Quanto às razões, são questões que só poderemos avançar depois da investigação que se está a fazer através do comando conjunto. Mas confirmo o caso", disse Marta Pereira, acrescentando que o crime aconteceu na segunda-feira, pelas 23h46, e que se tratou de "um homicídio voluntário".
Quem era Pedro Reis?
Em nota, o BCI lamentou a morte de Pedro Ferraz Correia dos Reis, lembrando a sua atuação marcada pela proximidade, pelo compromisso com a solidez do banco e pela valorização das pessoas, deixando um legado que será recordado com reconhecimento e respeito.
"Ao longo do seu percurso no BCI, Pedro Ferraz Correia dos Reis distinguiu-se pela sua visão estratégica, elevado sentido de responsabilidade e dedicação exemplar à instituição, tendo dado um contributo determinante para o desenvolvimento, a consolidação e a afirmação institucional do banco, sempre orientado por elevados padrões de ética, profissionalismo e rigor", destaca-se na nota de pesar da instituição bancária.
De acordo com o site da Diáspora Portuguesa, Pedro Ferraz Reis era membro do Conselho Executivo do Banco Comercial e de Investimentos.
Anteriormente ocupou o cargo de CFO no mesmo banco. Pedro Ferraz Reis iniciou a sua carreira em 1995 como assessor do presidente do Conselho de Administração e do Diretor Geral no BFE.
A nível académico, licenciou-se em Business Administration e tirou mestrado em Science in Finance pela pela Universidade Católica Portuguesa. Em 2011 terminou um General Management Programme na Harvard Business School.
Pedro Ferraz Reis, que viveria em Moçambique há 10 anos, era ainda membro do Conselho da Diáspora Portuguesa desde dezembro de 2023.
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