Ferraz dos Reis. Autoridades de Moçambique e Portugal confirmam suicídio
- 30/01/2026
As autoridades de Moçambique e Portugal confirmaram, esta sexta-feira, 30 de janeiro, numa conferência de imprensa conjunta dada a partir de Maputo que o bancário português Pedro Ferraz dos Reis suicidou-se.
O administrador português do banco BCI que apareceu morto no hotel Polana, em Maputo, terá mesmo tirado a sua própria vida, avança a Polícia Judiciária (PJ) e o Serviço de Investigação Criminal de Moçambique (Sernic).
Santos Martins, inspetor chefe da PJ portuguesa, reconheceu que, num primeiro momento, e dada "a quantidade e vestígios detetados, bem como o grau de violência desta morte", foram suscitadas dúvidas quanto à sua causa.
"Após a realização da inspeção ao local da ocorrência e de múltiplas diligências, as conclusões preliminares do Serviço Nacional de Investigação Criminal sobre a averiguação da causa de morte, apontavam para a possibilidade de estar perante um quadro de suicídio ou seja, não existindo a intervenção de terceiros na morte de Pedro Ferraz Reis", disse.
"As conclusões conjuntas alcançadas pelo Sernic, o Instituto de Medicina Legal de Moçambique, a PJ portuguesa e o Instituto de Medicina Legal de Lisboa, apontando, ao dia de hoje, de forma fundamentada para a causa de morte suicida, refletem e resultam de um esforço técnico e científico rigoroso assente na análise exaustiva de prova permitindo o esclarecimento de factos e contribuindo para a realização da justiça", começou por anunciar o inspetor chefe Santos Martins, da Unidade Nacional Contraterrorismo da PJ.
"Temos feito um esforço comum, com os nossos parceiros moçambicanos, no sentido de trabalharmos juntos e conseguirmos partilhar experiência, expertise, novas técnicas e temos tentado implementar também uma visão em termos criminais daquilo que pode ser a psicologia de quem comete crimes ou na psicologia que existe num evento desta natureza", salientou ainda o investigador português, durante a conferência de imprensa, transmitida pela RTP 3.
Santos Martins reconhece que "um episódio dessa violência, cuja histologia é um suicídio, não é comum", no entanto, assegura que essa foi a causa da morte determinada pelas investigações que as autoridades fizeram em conjunto.
"A nossa deslocação aqui contribuiu para ajudar o Sernic a consolidar todos os elementos probatórios e indícios que já tinha recolhido", explicou ainda o investigador português, assegurando que a PJ "tentou perceber o que é que se tinha passado na cabeça da vítima".
Ilídio Miguel, diretor-geral do Sernic explicou depois que os elementos da PJ portuguesa, bem como a médica legista que integra a missão, tiveram a oportunidade de ver o corpo de Pedro Ferraz Reis.
E ressalvou: "O corpo não apresentava ferimento nas costas e, mais ainda, não tinha lesões de defesa", uma conclusão que "já constava do relatório da autópsia que o Sernic requisitou à medicina local".
"O Sernic, através do Laboratório Central de Criminalística, já havia realizado exames de química, tanto toxicológico, das substâncias encontradas, sobretudo no estômago do malogrado e no local de facto, que concluiu tratar de substâncias nocivas à saúde", nomeadamente um veneno para ratos.
Este laboratório realizou, igualmente, exames de ADN e concluiu "não ter encontrado perfis distintos do malogrado, sobretudo na arma branca, a faca, no punho da faca", adiantou".
Recorde-se que Pedro Ferraz dos Reis foi encontrado sem vida, na noite de 19 de janeiro, nas casas de banho do histórico Serena Polana Hotel, em Maputo.
Num primeiro momento a polícia de Moçambique disse que se tratava de um homicídio voluntário mas, horas depois, o Sernic garantiu que tinha sido um suicídio.
Isso, a falta de algumas imagens e a dificuldade em compreender como é que alguém toma veneno de rato e esfaqueia-se no pescoço, pulsos, coração e coxas para se suicidar levou a que muitos desconfiassem das investigações moçambicanas.
Desde essa altura que a morte do bancário português está envolta em mistério. O jornal Expresso, inclusive, dizia hoje que quando foi anunciado o suicídio, no dia da morte, o corpo de Ferraz dos Reis ainda não estava no serviço de Medicina Legal do Hospital de Maputo.
Entretanto, os restos mortais do administrador do BCI já estão em Portugal e terão sido já alvo de uma segunda autópsia.
O Correio da Manhã, por sua vez, disse ontem que Ferraz dos Reis tinha recebido várias ameaças de morte, antes de ser encontrado sem vida.
Entretanto, familiares e amigos criaram uma petição pública a pedir que o caso fosse devidamente investigado, por suspeitarem que este não se tinha suicidado. Mais de 9 mil pessoas assinaram a mesma.
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