"Falta de macas". Doente terminal ficou no chão de hospital em Coimbra

  • 10/01/2026

Uma doente oncológica em fase terminal foi fotografada deitada no chão do Hospital Universitário de Coimbra no passado dia 8, situação que aconteceu devido, alegadamente, à falta de macas" na unidade de saúde. A situação foi denunciada pelo filho da utente nas redes sociais, embora sem mencionar o hospital onde o incidente ocorreu.

 

"A minha mãe tem um cancro generalizado na zona abdominal", começa por escrever João Gaspar. "Faz quimioterapia, vive com dores constantes, tem bolsa de urina e saco para as fezes. Não consegue andar sozinha nem permanecer sentada por muito tempo", explicou, acrescentando: "Ainda assim foi tratada como se fosse apenas mais um corpo à espera."

Foi o filho que ligou para a Saúde 24 à procura de apoio para a mãe, de 59 anos, que estava com dores "insuportáveis": "Ninguém atendeu".

Depois, ligou para o 112, que lhe garantiu que ia enviar uma ambulância em breve. "Vinte minutos depois, voltaram a ligar para dizer que não havia ambulâncias disponíveis e que teríamos de aguardar por tempo indeterminado", continuou.

"Tempo indeterminado quando uma pessoa grita com dores", escreveu João Gaspar na mesma publicação no Facebook.

"Não tivemos alternativa. Colocámos a minha mãe no carro para a levar às urgências. Avisei que estava a chegar com uma doente grave, antecipando o problema que é chegar à entrada das urgências com um carro particular. Disseram-me apenas para falar com a polícia à entrada", acrescentou.

João contou que chegou ao hospital com a "mãe deitada no banco de trás, porque não conseguia sentar-se". Lá, disseram-lhes que não havia macas disponíveis e que a sua mãe teria de ficar numa cadeira de rodas.

"Ela não aguentava. Pedi uma maca. Disseram-me que teria de ser eu a ir buscar. Não havia", afirmou. "Fui eu, com um familiar, que transportei a minha mãe para dentro do hospital. Numa sala cheia de profissionais, ninguém tinha uma solução. A minha mãe gritava de dores."

Ao pedir melhores condições para a sua mãe, e ajuda, João terá ainda ouvido "todos ali estavam mal": "Como se a dor fosse igual, como se o sofrimento não fosse indiferenciado".

Vendo ser impossível a hipótese de sentar a mãe, devido às dores, o filho não viu outra alternativa sem ser deitar a "mãe no chão, sobre uma manta trazida" por si.

"Houve quem criticasse a decisão não para ajudar, mas para apontar o dedo", recordou, afirmando que "só quando perceberam que aquela imagem estava a ser registada é que alguém começou a agir".

A partir daí, "tudo aconteceu como deveria ter acontecido desde o início": foi administrada morfina à sua mãe por duas vezes, recebeu soro e foram feitos os exames necessários.

"Os meios existiam", comentou João. "O que faltou foi humanidade."

Em declarações ao Notícias de Coimbra, mais tarde, Alice Aleixo, tia da paciente em questão, deu mais pormenores sobre a situação, precisando, nomeadamente, o hospital em que o incidente aconteceu.

"Ver a minha sobrinha no chão, a sofrer, e ouvir respostas desumanas, foi insuportável. Fizemos tudo o que pudemos para a proteger, mas isto é algo que ninguém devia passar", afirmou.

A utente luta com vários tipos de cancro desde os 36 anos: garganta, ovário, útero e intestino.

"É revoltante ver uma pessoa em fase terminal ser tratada assim. Há falta de macas, camas e respostas humanas. Isto não se justifica. A saúde devia estar em primeiro lugar", considerou a tia.

Segundo Alice Aleixo, a sua sobrinha regressou às urgências este sábado.

Hospital vai abrir "processo de averiguações" ao caso

O Notícias ao Minuto questionou a Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra e, posteriormente, foi emitido um esclarecimento por parte da unidade, que referiu ter tido conhecimento do relato nas redes sociais e que, "perante os factos descritos, será aberto um processo de averiguações, com o objetivo de apurar, com rigor e serenidade, todas as circunstâncias associadas ao caso".

A averiguação terá "como foco principal a identificação de eventuais oportunidades de melhoria nos processos, na organização e na experiência dos utentes".

A ULS comprometeu-se ainda a tratar este caso, como todas as outras situações reportadas com "seriedade, transparência e responsabilidade, colocando sempre no centro da sua atuação o respeito pelos utentes, a qualidade dos cuidados prestados e a melhoria contínua dos serviços de saúde disponibilizados à população".

Já no período da noite, a ULS rejeitou as acusações de que a doente oncológica tenha aguardado atendimento "deitada no chão" do Serviço de Urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) por "falta de macas", descrevendo que a utente esteve nas urgências em "dois momentos distintos".

Doente oncológica no chão por

Doente oncológica no chão por "falta de macas"? Hospital de Coimbra nega

A Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra rejeitou, este sábado, as acusações de que uma doente oncológica aguardou atendimento "deitada no chão" do Serviço de Urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) por "falta de macas", ao contrário do que denunciou o filho da paciente nas redes sociais.

Daniela Filipe | 22:30 - 10/01/2026

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/pais/2917077/falta-de-macas-doente-terminal-ficou-no-chao-de-hospital-em-coimbra#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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