"Fallout" não é político mas analisa desigualdade, diz Walton Goggins
- 04/02/2026
"Não somos uma série política, não falamos da nossa história política", afirmou, numa entrevista em Las Vegas. "Não nos pomos em cima de um banco a dizer-vos como nos sentimos".
No entanto, a série baseada no videojogo da Bethesda examina o que acontece quando o mundo apocalíptico é dividido por profundas desigualdades.
"É a história sobre a diferença entre os que têm e os que não têm, e as pessoas que estavam no refúgio [antinuclear] e o resto de nós, que fomos deixados para morrer na superfície".
Walton Goggins dá corpo a Cooper Howard, uma celebridade de Hollywood que foi a cara da tecnologia dos refúgios da empresa Vault-Tec mas que não conseguiu abrigo quando as bombas nucleares caíram.
Mais de 200 anos depois, Howard sobrevive na superfície como um "ghoul" (carniçal), alterado pelos efeitos da radiação.
"A experiência humana não é estática. O 'ghoul', mesmo contra a sua vontade, está a tornar-se mais humano, a redescobrir esta parte de si com sentimentos, consideração e empatia que estiveram ausente da sua vida durante muito tempo", descreveu Goggins.
A audiência vê o oposto a acontecer com Cooper Howard, à medida que emergem cenas do passado sobre o que aconteceu antes do apocalipse.
"Cooper está a tornar-se mais cínico porque o mundo que ele achava que conhecia não existe", explicou o ator. "Para uma pessoa que pensava estar no controlo da sua própria vida, perceber que é outro que controla tudo há muito tempo pode gerar um certo cinismo".
Na segunda temporada, a audiência também é transportada pela evolução de Steph Harper (Annabel O'Hagan), descobrindo que a melhor amiga de Lucy (Ella Purnell) e supervisora do refúgio 32, é, na verdade, uma canadiana que fugiu a um ataque brutal dos Estados Unidos antes da guerra nuclear.
"Vejo-a como uma sobrevivente, estou a torcer por ela e penso que está disposta a fazer o que for preciso para sobreviver", disse à Lusa a atriz Annabel O'Hagan, em Las Vegas.
"Ela ainda está a fugir de todos os medos e das coisas que a levaram a sair do Canadá e nunca vai conseguir escapar dessa perda", afirmou a atriz. "Ela é esperta, manipuladora e incrivelmente corajosa, e está disposta a tudo, mesmo que requeira decisões moralmente questionáveis, para sobreviver num mundo brutal".
Annabel O'Hagan, que foi obrigada a um esforço físico muito grande quando filmou o episódio 7 da segunda temporada com Natasha Henstridge, disse que a série deixa uma questão relevante no ar a caminho da terceira temporada, que começará a ser filmada em maio em Santa Clarita, a 50 quilómetros de Los Angeles.
"Penso que a questão que me resta é: existe um bem maior no deserto pós-apocalíptico?", indicou. "Ele existe mesmo? E que versão deste bem maior prevalecerá no final? Porque cada fação tem uma ideia diferente da reencarnação ideal do mundo após a queda das bombas".
Esse dilema é bem ilustrado pelas ações de Hank MacLean (interpretado por Kyle MacLachlan), ex-supervisor do refúgio (vault) 33 e executivo da Vault-Tec antes da guerra nuclear.
"Há aqui um propósito maior, introduzido nesta temporada, que é o advento do Enclave e da sua influência, algo de que Hank esteve sempre ciente", explicou MacLachlan. "As decisões que ele toma no final com Lucy obrigam a uma perda, mas é para um propósito maior".
Na final da temporada, é descoberta a relação anteriormente desconhecida entre os dois -- Hank MacLean e Steph Harper -- que vai desencadear os acontecimentos da próxima temporada.
"Todos ainda temos uma jornada pela frente e isso é entusiasmante", disse MacLachlan.
O último episódio da segunda temporada de "Fallout" estreia-se hoje no Prime Video. É a série mais vista do serviço de 'streaming' desde fevereiro de 2025 e 60% da audiência é de fora dos EUA.
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