"Fallout" explora o que acontece quando os EUA caem nas mãos erradas
- 04/02/2026
"Na primeira temporada, focámo-nos bastante em explorar como a corporativização pode ter levado à queda dos Estados Unidos, com os monopólios corporativos a terem um poder e influência excessivos sobre os acontecimentos globais", afirmou a cocriadora da adaptação do videojogo "Fallout" para televisão, numa entrevista em Las Vegas.
"Mas agora estamos também a examinar o que acontece quando pessoas com valores morais questionáveis e que agem em benefício próprio assumem o governo dos Estados Unidos", explicou. "E o que isso significa para o mundo".
A grande final da segunda temporada estreia-se hoje no Prime Video e culmina a aventura dos protagonistas em New Vegas, após uma viagem pelo deserto do Mojave.
"Fallout" situa-se 219 anos depois do apocalipse e mostra o confronto entre os privilegiados dos refúgios antinucleares e os despojados que sobrevivem na superfície radioativa deixada pelos antepassados.
A audiência vê esta dualidade pelos olhos de Lucy (Ella Purnell), que sempre viveu num refúgio luxuoso e foi obrigada a enfrentar a superfície, do "ghoul" (carniçal) em que se transformou o ex-ator Cooper Howard (interpretado por Walton Goggins) e de Maximus (Aaron Moten), um escudeiro da Irmandade do Aço.
"Para mim, muitos dos temas resumem-se a controlo versus anarquia, quem deve governar e em que medida", descreveu o produtor executivo Jonathan Nolan, em entrevista.
"Sempre tivemos esta ideia binária do apocalipse, certo? Acabou. E não é assim, não acabou. Nunca acaba", considerou o cineasta. "Poderia haver um evento cataclísmico, mas muitas pessoas sobreviveriam e teriam de descobrir como reconstruir a sociedade".
Explorar estes cenários é quase como criar um laboratório "onde se brinca com utopias e distopias e se explora ideias sobre refúgios ou comunidades", algo que abunda em "Fallout".
Nolan acredita que a exploração faz particularmente sentido neste momento. "Penso que a questão mais ampla é aquela com a qual continuamos, infelizmente, a lidar como espécie, talvez com mais raiva agora do que em tempos recentes".
O final deixa em aberto muitas questões e prepara o caminho para a terceira temporada, em que a ação se vai deslocar para outra parte da superfície devastada. A geografia, disse Nolan, é quase tão importante quanto o "como" e o "porquê" dos acontecimentos.
"Há uma relação encantadora entre o universo de 'Fallout' e esta ideia de cidade, região, área. Para nós, a hipótese de brincar na neve fresca, por assim dizer, de explorar um pouco, é irresistível".
Na estreia antecipada da final em Las Vegas, a 'showrunner' Geneva Robertson-Dworet prometeu que a ação irá para zonas onde nem sequer o jogo se aventurou. As filmagens começam em maio em Santa Clarita, a cerca de 50 quilómetros de Los Angeles.
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