Fabricantes de automóveis apoiam apelo por uma concorrência mais justa
- 19/02/2026
Em comunicado, a associação, como membro da direção da CLEPA -- European Association of Automotive Suppliers, anunciou que se associa à carta aberta enviada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, "onde se defende a necessidade urgente de criar medidas que ajudem a reforçar a concorrência justa e preservar a capacidade de inovação e as cadeias de valor europeias".
De acordo com a CLEPA, que enviou a missiva em dezembro de 2025, os fornecedores automóveis, são "responsáveis por 75% do valor total de um veículo", são "um pilar estratégico da prosperidade industrial europeia".
Porém, alerta que enfrentam "fricções sem precedentes, num contexto global marcado por subsidiação distorciva, dumping de preços, sobrecapacidades apoiadas pelo Estado e tarifas unilaterais que levam os produtores europeus a ficarem em desvantagem estrutural e a enfrentarem concorrência desleal".
A carta refere ainda que, em 2025, "as importações de componentes automóveis provenientes da China atingiram 8,2 mil milhões de euros" e que o saldo comercial passou de um excedente há cinco anos de quase 7 mil milhões de euros para um défice de 700 milhões de euros.
Citando um estudo recente da Roland Berger, alerta ainda para o risco de perda de emprego na Europa até 2030 caso não sejam adotadas medidas atempadas.
"Importar hoje a tecnologia mais barata esvazia amanhã a nossa capacidade de inovação. Se permitirmos que as nossas cadeias de valor se desgastem, perderemos fábricas, mas também a nossa autonomia estratégica. Arriscamo-nos a trocar a soberania tecnológica europeia por uma dependência permanente de regiões de menor custo e com menor regulação", alerta a CLEPA.
Já a AFIA sublinha ainda que a Europa deve manter-se aberta ao comércio e à cooperação internacional, mas recorda que "o comércio só é sustentável quando assenta em regras equivalentes para todos e numa concorrência efetivamente leal".
Citado no mesmo comunicado, o presidente da AFIA e membro da direção da CLEPA, José Couto, destaca que "a transição para a mobilidade de baixas emissões e a digitalização exigem investimento, escala e previsibilidade".
"Se a Europa quer liderar a transformação, tem de garantir condições de concorrência justas e enquadramentos que mantenham o valor, a inovação e o emprego ancorados no espaço europeu. Apoiar a proposta da CLEPA é escolher soberania industrial, reforçar a resiliência das cadeias de valor e proteger a capacidade tecnológica da Europa", acrescenta.
A associação reafirma ainda a disponibilidade para colaborar com decisores e parceiros europeus na construção de "um quadro credível e ambicioso, que alinhe competitividade, inovação e transição climática, assegurando que a transformação da mobilidade cria valor e emprego de qualidade na Europa".














