Fábrica já vendeu "centenas de milhares" de telhas, que "não são todas iguais"
- 03/02/2026
Sete dias depois de a tempestade Kristin ter deixado um rasto de destruição no distrito de Leiria, a antiguidade dos telhados tem sido um desafio para quem quer remendar ou reconstruir a cobertura das suas casas, armazéns ou fábricas, com muitos a deslocarem-se de todo o lado à CS Coelho da Silva, no Juncal, concelho de Porto de Mós.
"As telhas não são todas iguais", explica, à Lusa, o gestor de operações da empresa, Paulo Sequeira, acrescentando que, por vezes, a solução passa por encontrar telhas compatíveis com aquelas que são tão antigas que já não se fabricam.
À entrada da fábrica, Augusto Neto, de 72 anos, e o cunhado, que viu a chaminé de casa desabar e precisará de cerca de 200 telhas novas, estão a aperceber-se dessa especificidade.
Deslocaram-se da localidade de Pernelhas, no concelho de Leiria, depois de verem o logótipo da empresa nos destroços do telhado que voou, mas mesmo assim a solução terá de passar por uma adaptação.
Visivelmente combalido, o cunhado de Augusto Neto acede, perante a insistência do funcionário da fábrica no Juncal para não subir ao telhado, que, alerta, foram já várias as pessoas que ficaram feridas ou morreram a arranjar a cobertura de casa.
Miguel Korrodi, de 64 anos, tem o apoio à distância de um engenheiro e, por isso, após um telefonema, acaba por se ir embora sem nada comprar, esperançoso numa outra solução para repor as coberturas dos edifícios da empresa fundada pelo avô, a Plásticos Santo António.
No total, conta, são cerca de oito mil metros quadrados, dos quais 85% ficaram "sem telhas" e, nalguns casos, sem qualquer cobertura.
"A única coisa que nos salva é que há seis meses começámos a construção de uma fábrica nova e daqui a seis meses já podemos transferir a operação", desabafa.
Na CS Coelho da Silva, de onde não param de sair carrinhas carregadas de material, a salvação têm sido as telhas que a empresa tinha em 'stock', uma vez que só na segunda-feira foi possível a produção ser retomada, e mesmo assim com limitações face às falhas de rede que hoje de manhã persistiam, lamenta Paulo Sequeira.
Segundo o gestor de operações da empresa, o dia seguinte à tempestade Kristin foi destinado a reparações na própria fábrica, que, desde então, só não abriu no fim de semana, para que os cerca de 230 trabalhadores pudessem fazer intervenções nas suas casas.
Habitualmente, assegura, os particulares podem apenas comprar telhas nos revendedores da empresa, mas, atendendo à situação que se vive, nos últimos dias têm-no conseguido fazer também na fábrica.
"Ontem [segunda-feira], atendemos 474 particulares", quantifica, sublinhando que têm sido igualmente fornecidas com frequência telhas a um total de 96 revendedores.
Feitas as contas, Paulo Sequeira estima, numa curta conversa entre a azáfama, que a empresa já vendeu "várias centenas de milhares" de telhas desde que a tempestade Kristin atingiu o centro do país, na madrugada de quarta-feira
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicações com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de edifícios, quedas de árvores e estruturas e cortes ou condicionamentos de estradas e de serviços de energia, água e comunicações são algumas das principais consequências do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Leia Também: Empresa do Norte ajuda a reparar telhados em Leiria













