F1 não tem portugueses há 20 anos. Recorde quem lá chegou

  • 01/01/2026

Inicia-se esta quinta-feira, 1 de janeiro, o ano de 2026. Dentro de poucos meses, completam-se duas décadas desde o início da última época de Fórmula 1 em que um português esteve no pelotão.

 

Foi em 2006. Tiago Monteiro alinhou pela Midland, estrutura russa que tinha adquirido a Jordan - histórica formação que promovera a estreia do portuense um ano antes, com o pódio no caricato GP dos EUA a destacar-se.

Mário de Araújo Cabral (Nicha Cabral)

O primeiro português que competiu, de facto, na Fórmula 1 foi Mário de Araújo Cabral - mais conhecido como Nicha Cabral. Nascido em 1934 no Porto, era ginasta e esteve perto de disputar os Jogos Olímpicos de 1952, antes de se dedicar ao automobilismo poucos anos depois - primeiro nos ralis, depois nos circuitos.

Competiu em provas esporádicas do Mundial de F1 entre 1959 e 1964, num total de cinco. E o melhor resultado foi na estreia: décimo no GP de Portugal de 1959 com um Cooper T51 da Scuderia Centro Sud. Para além da atividade desportiva, Nicha Cabral também era empresário têxtil. Morreu em 2020.

Pedro Matos Chaves

Depois de Nicha Cabral, passaram-se quase três décadas até que um português pudesse voltar a competir na Fórmula 1. Foi Pedro Matos Chaves, atualmente com 60 anos de idade.

Conhecido pela sua versatilidade, começou a trilhar o caminho nos monolugares até à Fórmula 1, mas também alinhou nas 24 Horas de Le Mans, carros de turismo e até no Mundial de Ralis.

A experiência na F1 esteve longe de ser a melhor possível. Numa época de 1991 em que havia pré-qualificação, tentou por 13 vezes chegar às corridas e falhou sempre.

Não se engane quanto às capacidades de Matos Chaves. É que o piloto não teve verdadeiras chances de o mostrar ao serviço da Coloni - que tinha um monolugar obsoleto e complicado de guiar. Com poucos recursos financeiros, Enzo Coloni acabou mesmo por vender a estrutura para 1992.

O antigo piloto português teve uma janela de oportunidade para se manter na categoria rainha em 1992 com a equipa que seria conhecida como March (sucedendo à Leyton House). O que falhou? A verba necessária em patrocinadores.

Pedro Lamy

Notícias ao Minuto Pedro Lamy foi o primeiro luso a pontuar na F1© Clive Rose/Getty Images  

Saiu Matos Chaves, entrou outro Pedro dois anos depois. Falamos de Pedro Lamy, que na fase final da época de 1993 estreou-se na Fórmula 1 com a Team Lotus - na altura, já numa fase descendente da sua longa história.

A aventura durou apenas oito corridas (as quatro últimas de 1993 e as quatro primeiras de 1994). Um acidente num teste privado em Silverstone em 1994 ditou o desfecho prematuro desse ano.

Em 1995, Pedro Lamy teve nova chance na Minardi, entrando já a meio. Ainda foi a tempo de fazer o seu melhor resultado, com o sexto lugar no GP da Austrália - tornando-se no primeiro luso a pontuar na F1. Continuou em 1996, com mais três resultados no top dez fora da zona pontuável (na altura, só somavam os seis primeiros).

Sem futuro na categoria rainha, o piloto nascido na zona Oeste fez, depois, carreira na resistência, com múltiplas participações nas 24 Horas de Le Mans - onde obteve dois segundos lugares absolutos e foi piloto de fábrica da Peugeot durante vários anos. Também chegou a competir noutras categorias, como o DTM, para além de fazer participações nas 24 Horas de Daytona e nas 12 Horas de Sebring.

De mencionar que a ligação de Pedro Lamy à F1 não terminou por completo: é, esporadicamente, chamado aos deveres de comissário.

Tiago Monteiro

Em 2005, Tiago Monteiro tornou-se no último português a estrear-se na Fórmula 1 até hoje. Entrou pela porta da Jordan, uma equipa com pergaminhos, mas que se encontrava em dificuldades e viria a ser vendida no fim desse ano.

Apesar das dificuldades em pista, o piloto oriundo do Porto ainda teve a oportunidade de ser o primeiro luso a subir ao pódio. Foi no GP dos Estados Unidos da América de 2005, com apenas seis pilotos em pista depois de os pilotos equipados com um dos fornecedores de pneus da altura se retirar por preocupações com a segurança.

Ainda assim, Monteiro fez o que lhe competiu, terminando apenas atrás dos dois Ferrari. Mais tarde no mesmo ano, pontuou por mérito próprio com o oitavo lugar na Bélgica. Duas posições atrás de si ficou Felipe Massa, que na altura estava na Sauber.

A russa Midland comprou a Jordan antes de 2006, mas nem isso permitiu a Tiago Monteiro ter um monolugar competitivo e no fim da época retirou-se da classe para abraçar outros desafios. Destaca-se uma longa carreira no antigo Mundial de Carros de Turismo e na posterior Taça do Mundo de Turismos, bem como idas às 24 Horas de Le Mans (onde se tinha estreado antes da F1).

Outros casos

Apesar de não ter chegado a competir, Casimiro de Oliveira esteve inscrito no GP de Portugal de 1958 - o primeiro em que a Fórmula 1 veio ao país. O irmão de Manoel de Oliveira tinha vencido, anos antes, a edição inaugural do GP de Portugal. A sua aventura na F1 acabou depois de um teste em que concluiu que não estava apto para o desafio.

Outro caso que não incluímos na lista, mas temos de mencionar, é o de Fritz d'Orey. Falecido em 2020, competia como brasileiro, mas devido à sua ascendência tinha dupla nacionalidade portuguesa. Alinhou em três corridas do Mundial de 1959 e o décimo lugar em França foi o melhor resultado.

Três estiveram perto depois de Tiago Monteiro

Notícias ao Minuto Félix da Costa no teste de jovens de 2013, ao volante de um Red Bull, em Abu Dhabi© David Davies/PA Images via Getty Images  

Depois de Tiago Monteiro sair no fim de 2006, mais nenhum português chegou ao pelotão da Fórmula 1. Mas três deles estiveram mais ou menos próximos de o fazer.

Em 2005, Filipe Albuquerque esteve na Red Bull Junior Team, vencendo os dois campeonatos de Fórmula Renault que disputou no ano seguinte. O quarto posto na Fórmula Renault 3.5 (uma das principais vias de acesso na altura) em 2007 alimentou as esperanças. No entanto, nunca teve a chance de subir à F1. Acabou por se dedicar a outros campeonatos, como a A1 Grand Prix ou o DTM, antes de se notabilizar na resistência - quer no Mundial, com várias participações em Le Mans, quer no IMSA SportsCar Championship nos EUA. Lá voltará a estar em 2026.

Álvaro Parente foi outro piloto que ficou perto de entrar na F1. Foi campeão da Fórmula Renault 3.5, chegou a poder experimentar um monolugar da Renault e até esteve perto da Virgin em 2010… mas faltou dinheiro. Depois disso, teve uma carreira discreta em campeonatos como as GP2 Series, Superleague Fórmula, FIA GT ou Blancpain Series. Chegou a participar nas 24 Horas de Le Mans duas vezes e no IMSA SportsCar Championship.

Desde Tiago Monteiro, o piloto português que mais perto esteve da Fórmula 1 terá sido António Félix da Costa. As campanhas de 2009 na Fórmula Renault levaram-no a ser piloto de testes da Force India um ano mais tarde, integrando depois a Red Bull onde chegou a ser piloto de reserva. A vaga na Toro Rosso abriu-se em 2014, mas Félix da Costa foi preterido em favor de Daniil Kvyat. Rumou, então, ao DTM e à Fórmula E, onde se tem vindo a destacar e já tem um título. Também já disputou o Mundial de Resistência (WEC) e as 24 Horas de Le Mans (onde voltará em 2026), para além de vencer o GP de Macau de Fórmula 3 em 2016.

Na galeria de topo, pode ver imagens dos quatro pilotos portugueses em ação na Fórmula 1.

GP de Portugal de F1: Uma história que começou em 1958 e volta em 2027

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Em 2027, o GP de Portugal está de volta à Fórmula 1 depois de seis anos de ausência. A história da categoria rainha no país começou logo na primeira década do campeonato - não sem longos hiatos.

Bernardo Matias | 07:19 - 25/12/2025

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/auto/2910835/f1-nao-tem-portugueses-ha-20-anos-recorde-quem-la-chegou#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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