Ex-ministro Castro Mendes vê Seguro como "opção necessária"
- 28/01/2026
"Independentemente daquilo que no passado me dividiu de António José Seguro, neste momento eu digo-lhe que - mas desde a primeira volta, isto não é recente - desde o princípio eu vi que foi o candidato que teve a coragem de avançar, foi o candidato que esteve, ao fim e ao cabo, recatado após a sua derrota dentro do Partido Socialista", disse à Lusa Luís Filipe Castro Mendes, ex-ministro da Cultura de António Costa.
Falando à margem de um almoço de Seguro com apoiantes do setor da Cultura, subscritores de um manifesto que conta já com mais de 600 signatários, o também poeta e embaixador considerou que "neste momento é óbvio, com tudo o que se passou, com toda a evolução que o país teve e com os grandes perigos que rodeiam internacionalmente o país, António José Seguro é a opção necessária".
"Para a Cultura também, porque é um homem que tem atenção às coisas da Cultura e que certamente terá um papel importante ao nível dos poderes do Presidente da República", não querendo "passar por cima, porque é um defensor da Constituição" que, para Castro Mendes, "fará tudo com o seu poder de influência e com o seu poder de pressão" para defender "os valores democráticos, os valores sociais, o Estado Social".
Segundo Luís Filipe Castro Mendes, "quem tiver o mínimo de conhecimento dos assuntos, o mínimo de preocupação democrática, percebe muito bem que está à frente de um candidato sério à presidência da República e de uma personalidade que tem um jogo histriónico para a plateia".
"Ora, isso é o que se chama um demagogo", concluiu Castro Mendes à Lusa, numa referência a André Ventura, num almoço que contou com cerca de 50 pessoas, entre as quais o poeta e histórico socialista Manuel Alegre, os músicos Luís Represas, João Gil, Milhanas e Agir, o musicólogo Rui Vieira Nery ou as escritoras Margarida Pinto Correia ou Inês Pedrosa.
No final do almoço, aos jornalistas, António José Seguro defendeu que "uma das políticas que o país deve ter é a política cultural, não como uma política setorial, mas como um centro de transformação social da sociedade portuguesa".
"A cultura é precisamente um dos melhores antídotos contra o extremismo e reforça as condições para que os seres humanos consigam lidar com essas tentativas de manipulação que vêm para nos dividir e para lançar ódio na sociedade", considerou.
Tendo já marcado presença num comício durante a campanha eleitoral da primeira volta no Barreiro (distrito de Setúbal) Milhanas e Agir regressaram hoje à campanha de Seguro.
Para Milhanas, a segunda volta "já não é sobre a direita e sobre a esquerda" mas sim "sobre querer manter a democracia no país", frisando, no entanto, que não apoia António José Seguro por estar contra André Ventura, não tendo "nenhuma razão para querer esconder" o seu apoio à candidatura.
Já Agir manifestou-se "muito triste" e até "revoltado quando há pessoas, independentemente das suas ideologias, seja do que for, que têm dúvidas" sobre em quem votar na segunda volta das eleições presidenciais.
"Eu acho que não há dúvidas, não pode haver dúvidas. E quando há, ou é por ignorância, ou por um eleitoralismo, ou por um calculismo (...) ou por alguns ódios de estimação e ideologias que têm mesmo, quando chega à altura certa - acho que uma delas é neste momento - têm que ser postos de parte", assinalou.
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