Europa acelera investimento em Defesa, mas execução é o grande teste
- 13/02/2026
O estudo, intitulado "Desatando o nó górdio de 800 mil milhões de Euros da Europa: cinco catalisadores para transformar a Defesa", sustenta que o continente se encontra num ponto de inflexão, com os países europeus comprometidos em elevar os gastos com defesa para 3,5% do Produto Interno Bruto até 2035, o que representará mais de um bilião de euros.
Para esta consultora, mais do que encontrar soluções perfeitas, a prioridade para a Europa será agir com rapidez, coordenação e pragmatismo, sob pena de o aumento histórico do investimento não se traduzir em superioridade operacional efetiva.
Apesar do consenso político em torno do reforço da segurança coletiva, a consultora alerta que "investir mais não é suficiente" se persistirem fragilidades estruturais nos modelos de planeamento, aquisição, investigação e produção.
Para a McKinsey, o verdadeiro "nó górdio" da defesa europeia reside na interdependência de vários obstáculos estruturais, desde a fragmentação regulatória às divergências estratégicas entre Estados-membros, passando por processos de contratação longos e complexos.
A consultora estima que alcançar uma dissuasão credível exigirá um investimento acumulado de cerca de cinco biliões de euros até 2030, mas insiste que o sucesso dependerá sobretudo da capacidade de execução e coordenação entre governos, indústria e setor financeiro.
Entre os principais desafios identificados estão a definição clara das capacidades necessárias num contexto de rápida evolução tecnológica, a aceleração dos processos de aquisição sem comprometer a transparência, a expansão da base industrial com resiliência nas cadeias de abastecimento e o reforço dos ecossistemas de inovação.
O relatório propõe cinco catalisadores para desbloquear a transformação: modelos de aquisição a múltiplas velocidades, uma indústria escalável, maior colaboração e inovação, garantia de acesso a matérias-primas críticas e modernização das capacidades existentes.
A lógica é pragmática: atualizar sistemas já em operação pode gerar ganhos imediatos de prontidão, enquanto se desenvolvem novas plataformas, evitando que a ambição estratégica fique dependente de ciclos industriais demasiado longos.
Desde 2019, os orçamentos de defesa europeus duplicaram, com um aumento próximo de 250 mil milhões de euros, prevendo-se um acréscimo adicional de 300 mil milhões nos próximos cinco anos.
Até 2030, a despesa em Defesa deverá atingir cerca de 2,9% do PIB europeu, totalizando 800 mil milhões de euros por ano, dos quais aproximadamente 335 mil milhões destinados a equipamento e investigação e desenvolvimento, ficando os restantes 465 mil milhões afetos a pessoal, infraestruturas, manutenção e operações.
O crescimento do investimento em equipamento é particularmente expressivo, sendo quase nove vezes superior ao registado em 2014 e quase duplicando o nível previsto para 2025 em apenas cinco anos.
Segundo o relatório, a partir de 2028 a Europa poderá ultrapassar os Estados Unidos em despesa anual com equipamento militar, pelo menos em termos comparativos com os níveis norte-americanos de 2025.
O impacto económico deste reforço poderá ser significativo, com um aumento anual de 165 mil milhões de euros a gerar até 1,2 milhões de novos empregos, reforçando o tecido industrial europeu.
Contudo, a consultora sublinha que este potencial esbarra numa tendência demográfica adversa, marcada pela perda de cerca de um milhão de trabalhadores por ano, o que torna indispensável investir na atração e requalificação de talento.
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