Etiópia exige que Eritreia retire imediatamente tropas do seu território
- 08/02/2026
"Os acontecimentos dos últimos dias indicam que o Governo eritreu escolheu o caminho da escalada" do conflito, lamentou o ministro dos Negócios Estrangeiros etíope, Gedion Timotheos, numa carta enviada no sábado ao seu homólogo eritreu.
O ministro etíope solicitou formalmente "que o Governo eritreu retire imediatamente as suas tropas do território etíope e cesse todas as formas de colaboração com os grupos rebeldes" que lutam contra o Governo federal etíope.
Estes atos não são "meras provocações, mas atos de agressão direta", declarou.
"Nós acreditamos que é possível quebrar este ciclo de violência e desconfiança através do diálogo e do envolvimento diplomático", continuou Gedion Timotheos.
Contactado pela agência de notícias AFP, o ministro da Informação da Eritreia, Yemane Gebremeskel, não respondeu.
A Eritreia e a Etiópia têm historicamente relações tensas e Adis Abeba acusou o seu vizinho nos últimos meses de apoiar os rebeldes no seu território, acusação que Asmara negou.
Antiga colónia italiana gradualmente anexada pela Etiópia na década de 1950, a Eritreia conquistou formalmente a sua independência em 1993, após décadas de luta armada contra Adis Abeba.
Uma nova guerra entre os dois vizinhos aconteceu entre 1998 e 2000, sobretudo por disputas fronteiriças, resultando em dezenas de milhares de mortes, seguidas de 18 anos de relações cortadas.
Os dois países normalizaram as relações quando o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, chegou ao poder em 2018, uma aproximação que lhe valeu o Prémio Nobel da Paz no ano seguinte.
Desde o início da guerra na região etíope de Tigray, em novembro de 2020, que as tropas eritreias se juntaram ao exército federal etíope na sua luta contra as forças rebeldes na região.
Enquanto os dois governos se envolvem em meses de retórica crescente, o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, acusou na terça-feira, pela primeira vez, o exército eritreu de cometer "massacres" durante o conflito na região de Tigray, na Etiópia, acusações que Asmara classificou de "mentiras".
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