"Estou mentalmente descompensado, esgotado, de rastos"
- 17/02/2026
António Raminhos recorreu à sua página de Instagram para desabafar sobre os últimos dias em que tem andado a trabalhar mais do que o normal. Esse excesso de trabalho, que uma profissão do mundo do entretenimento por vezes obriga, faz com que o humorista de sinta esgotado física e mentalmente até porque este luta contra uma Perturbação Obsessivo-Compulsiva.
"Estou há oito dias a gravar com um ritmo elevado e estou mentalmente descompensado, esgotado, de rastos. Não é culpa de ninguém, mas deixei chegar a um ponto que não devia", começa por referir o humorista.
"Para o cidadão comum está tudo bem. E, na realidade, é apenas o trabalho de andar de um lado para o outro a explorar locais e a falar com pessoas, mas quando alguém tem ansiedade, obsessões, medos de contaminação e necessidade de controle mínimo isto vira uma caldeirada", revela Raminhos.
"Todos os dias estou a gravar em locais antigos, que na minha cabeça não são seguros, cheios de pó ou materiais que acho perigosos... Falamos com pessoas simpáticas que nos oferecem lanches, feitas com amor e carinho e que me fazem sentir ainda pior por não estar confortável, não estar a desfrutar e poder parecer que estou a ser um idiota. No meio disto tudo, tenho que ser criativo, estar bem disposto, disponível. E estou! O facto de procurar aceitar os desafios, o desconforto, saber que as «questões» são minhas, ir à luta... ser o caminho a seguir é também estar em constante esforço e a bolha rebenta. E quando rebenta... a desconexão com a realidade instala-se ao ponto de entrar no quarto de hotel ver uma mancha no chão e entrar em pânico com o que poderia ser", refere ainda.
António Raminhos garante que faz estas partilhas porque sabe "que não é o único" a lutar contra esta condição. "Esta é a minha pancada, a vossa pode ser outra qualquer, mas a lógica e modus operandi é o mesmo. Não se deixem chegar a este ponto. Não precisam de aceitar todos os desafios, não precisam de ir sempre à luta a toda a hora. Não precisam de sentir-se culpados por, desta vez, não estarem disponíveis. Respeitem-se, escutem-se e tornem-se pragmáticos", afirma.
Devido a este estado de exaustão, o humorista explica que não conseguiu fazer uma parte do trabalho mas também não conseguiu evitar o sentimento de culpa.
"Ontem tive de dizer à equipa «tenho de ficar de fora nesta entrevista, peço desculpa». [...] Hoje acordei com sentimento de culpa, de tristeza, mas são «sentimentos» não sou eu, não me definem, fazem parte do momento. E sigo", refere ainda o humorista.














