"Este não é o momento de criarmos barreiras entre NATO e UE"
- 13/01/2026
"Este não é o momento para agir sozinho. Este não é o momento de criarmos barreiras entre nós [NATO e UE], que aumentariam custos, complicariam a produção e prejudicariam a inovação", afirmou Mark Rutte num discurso num evento no Parlamento Europeu, organizado pelo grupo liberal Renew Europe.
Neste discurso, em que nunca se referiu diretamente à Gronelândia, região semiautónoma da Dinamarca que Trump ameaçou anexar, Rutte garantiu que "os Estados Unidos estão completamente comprometidos com a NATO".
"Mas este compromisso vem com uma expectativa clara: a de que a Europa e o Canadá assumam mais responsabilidades sobre a sua própria segurança. Eu considero isso justo. Por isso, a meta dos 5% [de investimento em Defesa] tem de ser o nosso guia", referiu.
Depois desta intervenção inicial, num período aberto a perguntas por eurodeputados e jornalistas, o responsável evitou responder diretamente a qualquer questão sobre a Gronelândia, sublinhando tratar-se de uma questão mais vasta sobre a segurança no Ártico, numa altura em que, disse, a Rússia e a China estão a ficar "cada vez mais ativas" na região.
"E posso dizer-vos que, quando se trata da segurança do Ártico, não há qualquer divergência no seio da Aliança" Atlântica, referiu, salientando que os aliados concordam ser preciso "intensificar a ação conjunta" na região.
No entanto, numa aparente contradição do discurso do Presidente dos Estados Unidos, que tem ironizado que a Gronelândia só é defendida por "dois trenós puxados por cães", Mark Rutte reconheceu que a Dinamarca tem investido nas capacidades de defesa da ilha.
"A Dinamarca tem investido em [aeronaves] Boeing P8, em drones de longo alcance, estão a investir em mais caças F35 e em capacidades de reabastecimento aéreo. Todas estas capacidades são necessárias não apenas para manter a Dinamarca segura, mas para manter a NATO, no seu conjunto, em segurança", referiu.
Confrontado diretamente por uma eurodeputada dinamarquesa, que referiu que a população da Gronelândia está aterrorizada com as ameaças de Trump e perguntou o que é que a NATO pode fazer em caso de diferendo entre a Dinamarca e os EUA, Rutte pediu que se respeite a sua posição de não querer comentar diretamente a questão.
"Sempre que há discussões entre aliados, o meu papel é assegurar que resolvemos os diferendos. Eu nunca comento discussões entre aliados", disse, salientando que essa também foi a postura dos antecessores relativamente a diferendos, por exemplo, entre a Turquia e a Grécia.
Rutte elogiou ainda o Presidente dos Estados Unidos, salientando que foi devido à postura de Donald Trump, ainda durante o primeiro mandato, que a NATO começou a preocupar-se com a região do Ártico, salientando que a última reunião entre os aliados sobre esta matéria realizou-se no verão e agora estão a ser analisados os "próximos passos".
"Tivemos uma primeira discussão, penso que na semana passada, no Conselho do Atlântico Norte, sobre qual deve ser o próximo passo e agora estamos a trabalhar com todos os aliados envolvidos, em particular os sete que estão localizados no Ártico", disse, referindo-se ao Canadá, Estados Unidos, Islândia, Finlândia, Noruega, Suécia e Dinamarca.
Outro eurodeputado perguntou a Rutte se é o último secretário-geral da NATO, tendo em conta as "dúvidas e sombras que estão a surgir" sobre a aliança, tendo este optado por reagir com ironia.
"Ainda não estou preparado para demitir-me, mas tenho a certeza de que terei um sucessor um dia destes", disse.
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