Estados Unidos e Rússia vão "manter o diálogo" após fim de acordo nuclear
- 05/02/2026
A decisão foi divulgada no dia em que expirou o tratado New Start, o último acordo de controlo de armamento nuclear entre Washington e Moscovo.
"Manter o diálogo entre as forças armadas é um fator importante de estabilidade e de paz no mundo, que não podem ser alcançadas apenas pela força, e oferece um meio para aumentar a transparência e promover a desescalada", afirmou o EUCOM, estrutura tutelada pelo Departamento de Defesa norte-americano (Pentágono).
Num comunicado, o EUCOM referiu que o acordo em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, foi alcançado após reuniões entre o general Alexus Grynkewich, comandante do EUCOM -- que acumula igualmente as funções de Comandante Supremo Aliado da NATO na Europa --, e altos responsáveis militares russos e ucranianos.
Este canal de diálogo "proporcionará um contacto militar-militar consistente, enquanto as partes continuam a trabalhar no sentido de uma paz duradoura", destacou a mesma nota informativa.
A comunicação militar de alto nível tinha sido suspensa em 2021, pouco antes da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, que ocorreu em fevereiro de 2022.
Grynkewich encontra-se na capital dos Emirados Árabes Unidos, onde as conversações entre responsáveis norte-americanos, russos e ucranianos para pôr termo à guerra na Ucrânia entraram hoje no segundo dia, numa altura em que Moscovo intensificou os seus ataques contra a rede elétrica ucraniana e há relatos da utilização de munições de fragmentação num mercado em Donetsk (no leste ucraniano), onde morreram pelo menos sete pessoas.
O tratado New Start (ou tratado START III), celebrado entre a Rússia e os Estados Unidos e em vigor desde fevereiro de 2011, procurava limitar o número de armas nucleares estratégicas a um máximo de 1.550 ogivas nucleares, 700 mísseis balísticos e 800 sistemas de lançamento para cada uma das duas potências, em terra, mar ou ar.
A vigência do tratado terminou hoje depois de Washington se ter recusado a negociar um acordo que exclua a República Popular da China, deixando o mundo sem um sistema de controlo de armas nucleares pela primeira vez desde 1972, quando a União Soviética e os Estados Unidos assinaram o tratado SALT.
Numa conferência de imprensa convocada para assinalar o fim do New Start, a organização japonesa antinuclear Nihon Hidankyo, vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2024, alertou que "há um receio crescente" de que a corrida ao armamento não seja controlada.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os conselheiros da administração norte-americana acreditam que o pacto deve ser substituído por um novo documento que inclua também a República Popular da China, dado o crescente arsenal de armas nucleares de Pequim.
A presidência da Rússia indicou estar aberta a negociações sobre a estabilidade estratégica após o fim do START III, mas já alertou Donald Trump de que a assinatura de um novo tratado vai ser um processo "longo e difícil".
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