Estado tem de reforçar apoio à exibição de cinema para contrariar crise

  • 31/01/2026

Em declarações à Lusa a propósito dos recentes encerramentos sucessivos de salas de cinema pelo país, que nalguns casos contribuíram para deixar distritos inteiros sem exibição comercial regular, aquele responsável do cineclube fundado em 1998, Vítor Ribeiro, alertou para um "problema sério na relação do espectador com as cidades", que se iniciou com a mudança dos cinemas para os centros comerciais e quando estes deixaram de ser "um lugar".

 

Esse divórcio agudizou-se com o tempo, na opinião do também programador da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão, no distrito de Braga, e é cada vez mais difícil de recuperar, numa altura em que o espectador não é bem tratado nos grandes 'multiplexes': "Não há cuidado na projeção, há o ruído", entre outros fatores como as programações idênticas, inclusive em termos de horários, de um espaço para outro.

Os cinemas portugueses registaram no ano passado 10,9 milhões de espectadores, uma quebra de 8,2% face a 2024, segundo o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), no que foi o pior número desde 1996, sem contar com a pandemia.

Este ano, Viana do Castelo tornou-se no mais recente distrito a ficar sem exibição comercial regular quando a capital de distrito viu encerrarem as salas da Cineplace no centro comercial Estação Viana, juntando-se assim a Guarda, Bragança, Beja e Portalegre.

"Nos dias de hoje, com a quantidade de oferta que existe e de sítios em que as pessoas podem ver cinema -- se é que isso é cinema, ver numa plataforma televisiva -- hoje em dia o espectador é muito menos coerente, vai ver só o que lhe passa pelo algoritmo", afirmou Vítor Ribeiro.

O que é tanto mais paradoxal quanto o facto de Portugal ser "um caso de ótima oferta de cinema, se olhar para estreias todas as semanas [há] uma diversidade impressionante".

"Quase todas as semanas se estreiam 10, 12 filmes. Cinema americano, europeu, documentários, asiáticos. Mas depois não há salas para exibir esses filmes e acontece a mesma coisa que ao cinema português: há cada vez mais produção, mas comparativamente ao que o ICA investe em exibição e distribuição o valor é muito baixo por comparação com a produção", explicou.

Na opinião de Vítor Ribeiro, "o grande problema é não haver salas para exibir os filmes, [salas] que aguentem esta diversidade", acreditando que essa problemática seria resolvida com mais apoios aos exibidores locais.

"Aqui em Famalicão, com coisas à volta dos equipamentos municipais, temos cerca de 120 sessões por ano e números de espectadores à volta de 15 mil por ano", afirmou, lembrando que não existe exibição comercial de cinema no concelho há mais de 20 anos.

Para este programador, um "bom objetivo" passaria por conseguir fazer uma sessão diária por cinema, que permitiria ter um filme português todas as semanas e "escoar essa produção e oferta de cinema".

"Só que para isto acontecer, esta coisa que parece um pouco utópica, não pode ser só uma coisa municipal, tem de haver investimento do Estado central", disse o diretor do Cineclube de Joane, que exemplificou com o caso do próprio cineclube: se o ICA triplicasse o apoio dado ao cineclube (atualmente 8.000 euros) conseguiriam atingir a meta de exibição diária.

Vítor Ribeiro sublinha: "Já que o cinema é uma atividade comercial, já que hoje em dia se torna cada vez mais difícil ser rentável, atendendo à relação do espectador com a cidade, vai ter de se encontrar uma forma de o cinema continuar a ter uma relação, mas não pela via comercial".

"Aparentemente ligaram agora as luzes de pânico, mas já deviam ter ligado há mais tempo", declarou.

O Cineclube de Joane programa no pequeno auditório da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão uma sessão por semana. Em fevereiro, vai exibir "À Sua Imagem", de Thierry de Peretti, "O Riso e a Faca", de Pedro Pinho, "Onde Aterrar", de Hal Hartley, e "O General Della Rovere", de Roberto Rossellini.

No ano passado, segundo dados comunicados ao ICA, recebeu dois mil espectadores em 43 sessões.

A ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, anunciou em novembro a criação de um grupo de trabalho para refletir sobre a exibição de cinema e o encerramento de salas no país.

Em dezembro, a ministra disse à Lusa que este grupo de trabalho, que integra a IGAC e o ICA, iria "olhar para o histórico dos últimos três anos" sobre pedidos de desafetação, e que terá conclusões no primeiro trimestre deste ano.

Leia Também: Investigador reconhece complexidade do mercado da exibição de cinema

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/cultura/2929951/estado-tem-de-reforcar-apoio-a-exibicao-de-cinema-para-contrariar-crise#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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