Estado Palestiniano em Gaza? "Não aconteceu nem acontecerá"
- 27/01/2026
"Ouço declarações de que permitiria a criação de um Estado Palestiniano em Gaza. Isso não aconteceu nem acontecerá", declarou Netanyahu em conferência de imprensa, reclamando tê-lo "impedido repetidamente".
O chefe do Governo israelita declarou que o seu país "manterá o controlo de segurança sobre toda a área que se estende do rio Jordão ao Mar Mediterrâneo", referindo-se a Israel e a todos os territórios palestinianos ocupados.
A conferência de imprensa surge um dia depois da devolução do corpo do último refém que ainda permanecia na Faixa de Gaza, que o líder israelita tinha colocado como condição para a segunda fase do cessar-fogo proposto pelos Estados Unidos com o grupo islamita Hamas no enclave palestiniano.
Segundo Netanyahu, Israel concentra agora os seus esforços no desarmamento do Hamas e desmilitarizar a Faixa de Gaza, como prevê a segunda fase da trégua, que está em vigor desde 10 de outubro de 2025, apesar de sucessivas acusações mútuas de violação do acordo.
"Como disse ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, só há uma alternativa: ou o caminho fácil ou o difícil. Mas, em qualquer caso, vamos conseguir", acrescentou, reafirmando que não haverá reconstrução da Faixa de Gaza até ao desarmamento do Hamas e desmilitarização do território.
Durante as suas declarações à imprensa, o líder israelita insistiu também que não permitirá a entrada de "soldados turcos ou qataris" na Faixa de Gaza, no âmbito de uma força internacional de paz, também prevista no plano da Casa Branca.
O primeiro-ministro acrescentou que a próxima reabertura da passagem de Rafah, entre o enclave palestiniano e o Egito, anunciada pelas autoridades de Telavive na segunda-feira após o seu encerramento em maio de 2024, ocorrerá exclusivamente "sob a supervisão do exército [israelita] nos dois sentidos".
Netanyahu recordou ainda os termos da "vitória total" da ofensiva na Faixa de Gaza: o regresso de todos os reféns, o desarmamento do Hamas e a desmilitarização do território.
"Ontem [segunda-feira] concluímos o primeiro", observou, aludindo ao repatriamento do sargento da polícia Ran Gvili, morto nos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, que provocaram cerca de 1.200 mortos e desencadearam a guerra na Faixa de Gaza. Era o último dos 251 reféns feitos nesse dia que estavam por recuperar.
Na conferência de imprensa, o primeiro-ministro advertiu ainda que a realização de eleições nesta fase seria "um erro", num momento em que enfrenta a ameaça de perder a sua maioria parlamentar caso não consiga aprovar o Orçamento do Estado até 31 de março.
"É claro que estou preocupado (...) estamos numa situação muito delicada", comentou Netanyahu, quando questionado sobre o risco de rejeição da lei orçamental, o que desencadearia eleições antecipadas.
Para o chefe do Governo, "a última coisa" de que Israel precisa são eleições, instando os seus aliados na coligação e no parlamento a agirem "com bom senso", dado que a sessão legislativa termina em novembro.
As legislativas israelitas estão previstas para outubro deste ano.
As próximas etapas do cessar-fogo na Faixa de Gaza preveem a criação de um governo palestiniano tecnocrático de transição, cuja composição já foi anunciada, bem como a desmilitarização e a reconstrução completa do enclave, além do desarmamento de todo o pessoal não autorizado.
Em retaliação dos ataques do Hamas em outubro de 2023, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 71 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas
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