Estabilidade "não pode justificar normalização da extrema-direita"

  • 11/02/2026

"O facto de a vereadora passar a independente não significa que, de um dia para o outro, deixe de partilhar as ideias pelas quais foi eleita. O Chega entra, assim, no governo da cidade pela mão do presidente da Câmara", afirmou a vereadora do PS Alexandra Leitão, numa nota enviada à agência Lusa.

 

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), vai passar a governar com maioria absoluta ao delegar competências na vereadora independente Ana Simões Silva, ex-Chega, que vai passar a regime de tempo inteiro, anunciou hoje o município.

Numa nota, a autarquia indicou que o social-democrata convocou uma reunião extraordinária do executivo para sexta-feira para "fixar em oito o número de vereadores em regime de tempo inteiro", de um total de 17 membros da Câmara Municipal de Lisboa, atribuindo "posteriormente" a Ana Simões Silva (doutorada em Medicina Dentária e que se desfiliou do Chega em janeiro) os pelouros da Saúde e do Desperdício Alimentar e competências "no âmbito do grupo de trabalho responsável pelas candidaturas a projetos europeus".

Para a socialista Alexandra Leitão, a decisão de Carlos Moedas de integrar na sua equipa e entregar pelouros a uma vereadora eleita pelo Chega para assegurar uma maioria absoluta "é uma opção política que não deixa margem para dúvidas".

Como principal partido da oposição à liderança PSD/CDS-PP/IL, o PS considera que "são visíveis as aproximações de Moedas a agendas populistas e securitárias" e realça que foi evidente a forma como o Chega "deu a mão a Moedas" no início do atual mandato (2025-2029), inclusive com a aprovação de um regimento que "prejudica o exercício da oposição" e com a viabilização do orçamento municipal para este ano.

"Estão ainda por explicar várias nomeações que, alegadamente, foram usadas como moeda de troca por votos favoráveis e nomeações para empresas municipais", refere Alexandra Leitão.

Na perspetiva do PS, "a estabilidade não pode justificar a normalização da extrema-direita nem a troca de ideias por lugares".

Também com uma posição crítica, a vereação do PCP, representada pelo comunista João Ferreira, indica que desde a primeira hora que o Chega se predispôs a suportar todas as decisões da gestão PSD/CDS-PP/IL (eleita sem maioria absoluta), referindo que há aspetos essenciais em que "se revê e de que não se diferencia".

De acordo com o PCP, esta opção refletiu-se na aprovação da delegação de competências da câmara no seu presidente, na aprovação dos orçamentos e grandes opções do plano do executivo municipal e das empresas municipais, nas nomeações para cargos dirigentes, entre outras decisões relevantes.

"A decisão agora tomada por Carlos Moedas, sendo expectável desde há semanas, assegurará a continuidade do apoio que tem tido à sua gestão e a todas as decisões tomadas", afirma a vereação comunista, numa nota enviada à Lusa.

Por outro lado, a vereação do BE reforça que desde o início deste mandato que Carlos Moedas tem governado com o Chega, referindo que a troco de lugares para o partido de extrema-direita, "Moedas aprovou a lei da rolha à oposição, a duplicação dos rácios do alojamento local face ao que estava previsto na Carta Municipal de Habitação e o orçamento de 2026".

"Carlos Moedas tem vindo a demonstrar uma linha política securitária e preconceituosa e neste momento formaliza o Chega como aliado", defende o BE, sublinhando que, com a atribuição de pelouros à segunda vereadora eleita pelo Chega, Moedas fica com maioria absoluta na câmara, passando a ser "o único responsável por todas as decisões na capital".

Neste âmbito, o BE afirma que manterá o seu escrutínio sobre o mandato e apresentará soluções para os problemas que as pessoas enfrentam, nomeadamente na habitação, transportes, direitos sociais e higiene urbana.

Da vereação do Livre, Carlos Teixeira afirma que quanto mais se reforça a maioria na governação da cidade "mais os lisboetas terão de exigir de Carlos Moedas", considerando que acabou o tempo em que o presidente da câmara "justificava a inação com a ausência de uma maioria estável".

O Livre questiona ainda como é que a IL vê a integração de Ana Simões Silva, "se se sente ou não confortável", sublinhando que, de todo o modo, o que acontecer de agora em diante será da total responsabilidade de Moedas.

O atual executivo municipal de Lisboa tomou posse no dia 11 de novembro de 2025, um mês depois das eleições autárquicas, em que Carlos Moedas foi reeleito, pela coligação PSD/CDS-PP/IL.

Com oito eleitos (incluindo o presidente), a coligação ficou a um mandato de obter a maioria absoluta. Os restantes nove lugares foram ocupados pelo PS (quatro), pelo Chega (dois), pelo Livre (um), pelo BE (um) e pelo PCP (um).

Ana Simões Silva anunciou em 19 de janeiro a decisão de desfiliar-se do Chega, passando a assumir o mandato como independente. Com isso, o Chega ficou reduzido a apenas um vereador, Bruno Mascarenhas.

Leia Também: Vereador do Chega acusa Ana Simões Silva de "vender-se" a Moedas

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/politica/2937826/estabilidade-nao-pode-justificar-normalizacao-da-extrema-direita#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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