Esqueleto de idosa encontrado em casa no Porto. Estaria ali há 2 anos
- 23/01/2026
O esqueleto de uma idosa de 73 anos foi encontrado no interior da sua habitação, na tarde de quarta-feira, na sequência de um alerta da médica de família, no Porto. A profissional de saúde denunciou à Polícia de Segurança Pública (PSP) que a mulher não ia às consultas há cerca de dois anos, apesar de ser diabética.
A idosa, que vivia isolada num apartamento do Bairro de S. Roque da Lameira, não abria as janelas, nem as persianas, e era acumuladora. Uma vez que "havia sempre cheiro a lixo", os vizinhos não estranharam o odor que se fez sentir "durante uns quinze dias", conforme contaram ao Jornal de Notícias.
De acordo com aquele meio, a empresa municipal Domus Social questionou a vizinhança quanto ao paradeiro da inquilina - que não era vista desde o Natal de 2023 - e foi, de seis em seis meses, afixando na porta do apartamento vários avisos de despejo por falta de pagamento de renda.
Ainda assim, ninguém deu conta da ausência da idosa, que "nunca abria a porta" e "não queria falar com ninguém". Aliás, os outros moradores equacionaram que a mulher "teria saído do hospital para um lar", na sequência de uma queda que sofreu e que a deixou com um braço imobilizado.
Esses avisos de despejo permaneciam na porta do apartamento que, na quarta-feira, foi arrombado pelas autoridades. No interior estava, sobre a cama, o esqueleto que se assume ser a idosa, entre o lixo que acumulava.
Além da PSP e dos bombeiros, estiveram no local elementos da PJ, que recolheram indícios para apurar as causa da morte. Os restos mortais da mulher foram levado para o Instituto de Medicina Legal do Porto.
Caso obriga a repensar "modelo" de acompanhamento de idosos isolados
O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, considerou, esta sexta-feira, ser necessário repensar o "modelo" de acompanhamento de idosos isolados, ao mesmo tempo que anunciou a criação de um "projeto piloto", depois de o esqueleto de uma idosa morta há cerca de dois anos ter sido encontrado, no interior de um apartamento na Invicta, onde vivia sozinha.
"Nós temos é de perceber que, independentemente de termos feito tudo bem dentro do sistema que temos vigente e das regras terem sido todas seguidas, isso não foi suficiente. E, portanto, temos de repensar provavelmente todo este modelo, para que o acompanhamento de idosos vá um bocadinho mais longe do que aquilo que existe hoje em dia", disse, à margem de uma visita ao Gabinete do Munícipe.
Apesar de ser um caso "excecional", em que a mulher se auto isolou dos vizinhos, Pedro Duarte admitiu que há um problema de "isolamento de idosos" na cidade.
O município já tem um programa para envolver os inquilinos nos processos de gestão dos espaços comuns dos prédios municipais, o "ConDomus", e outro para acompanhar idosos em risco de isolamento no parque habitacional, o "Porto Importa-se". Contudo, o novo executivo quer criar mais um.
"Eu espero que este caso seja um despertador para todos nós. Para a câmara municipal vai ser. Nós temos já decidido, mas agora vamos fazê-lo de forma muito mais intensa e convicta (...). Vamos lançar um projeto-piloto de acompanhamento de cidadãos, principalmente idosos, em situação de isolamento, para que possa haver um acompanhamento mais concreto, mais diário (...) para que este tipo de situações não volte a acontecer", anunciou o autarca, ao lado da vereadora que acumula os pelouros da Habitação e da Coesão Social, Gabriela Queiroz.














