Especialistas alertam para "risco de violência em massa" no Sudão do Sul
- 25/01/2026
De acordo com a agência France-Presse (AFP), a Comissão de Direitos Humanos do Sudão do Sul manifestou hoje a sua "profunda preocupação" sobre a situação em Jonglei (leste), palco, desde o final de dezembro, de confrontos entre o exército sul-sudanês, leal ao presidente Salva Kiir, e o SPLA-IO, forças leais ao ex-vice-presidente Riek Machar, que foi detido no final de março e acusado em setembro de "crimes contra a humanidade".
Especialistas independentes da ONU alertaram que as declarações "inflamatórias" de alguns oficiais militares e os relatos de um grande destacamento de tropas "aumentam significativamente o risco de violência em massa contra civis e minam ainda mais o acordo de paz" que pôs fim a uma guerra civil que assolou o país de 2013 a 2018.
O chefe do Exército, Paul Majok Nang, ordenou na quarta-feira o envio das suas tropas para a região com o objetivo de "esmagar" a rebelião no prazo de sete dias e, segundo relatos em vários órgãos de comunicação do Sudão do Sul citados pela AFP, um alto oficial do exército afirmou ainda que "ninguém deve ser poupado, nem mesmo os idosos".
"As declarações públicas feitas por comandantes e outras figuras no controlo efetivo, quando incentivam a violência contra civis e coincidem com uma mobilização activa de tropas, constituem uma escalada perigosa numa altura em que os fundamentos políticos do processo de paz já estão gravemente fragilizados", assinalam os membros da Comissão, alertando a sua presidente, Yasmin Sooka, que "no passado esta retórica precedeu as atrocidades em massa no Sudão do Sul".
Num comunicado divulgado também hoje, a Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) condenou a "retórica inflamatória que incita à violência contra civis, incluindo os mais vulneráveis", que é "abominável" e "deve cessar imediatamente".
Os especialistas independentes da ONU apelaram ainda à comunidade internacional para que "pressione os líderes sul-sudaneses a regressarem ao caminho político a que se comprometeram", caso contrário, o país de aproximadamente 12 milhões de habitantes corre o risco de ser arrastado "para um conflito étnico generalizado e uma tragédia evitável".
Salientaram ainda que os líderes militares e civis que incitam à violência "podem ser responsabilizados criminalmente".
De acordo com as autoridades sul-sudanesas, cerca de 180 mil pessoas foram deslocadas por estes confrontos, sendo que as comunidades "já sofrem de insegurança alimentar aguda, surtos de doenças e os danos causados pelas inundações do ano passado", alertou o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
Segundo Yasmin Sooka, "esta crise não é inevitável", "mas a incitação deliberada e o abuso de autoridade terão consequências, e a janela de oportunidade está a fechar-se rapidamente", apontou.
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