Erdogan elogia ofensiva moderada do exército sírio contra combatentes curdos
- 19/01/2026
"A gestão ponderada desta operação delicada pelo exército sírio, bem como a notável sensibilidade em relação à segurança dos civis, são louváveis. Apesar das provocações, o exército sírio superou este desafio, evitando qualquer ação que pudesse desacreditá-lo, embora estivesse no seu direito", afirmou Recep Tayyip Erdogan.
"A Síria aproveitou uma oportunidade histórica. Como país irmão e amigo do povo sírio, não permitiremos qualquer tentativa de sabotagem. O princípio de um Estado, um exército é uma condição essencial para a estabilidade de um país. A Turquia apoia plenamente todas as medidas tomadas para o instaurar", acrescentou o líder turco.
O exército sírio posicionou-se nas zonas do norte e leste da Síria de onde as forças curdas se retiraram, ao abrigo de um acordo de cessar-fogo que representa um golpe para as esperanças de autonomia dos curdos.
O acordo prevê a integração das forças e instituições curdas no Estado, bem como a entrega imediata ao governo das províncias de maioria árabe de Deir Ezzor e Raqa.
Apesar do frio e da neve, cerca de 600 pessoas reuniram-se em Diyarbakir (sudeste), a principal cidade de maioria curda da Turquia, para protestar contra a ofensiva de Damasco.
A Liga Árabe também saudou o acordo de cessar-fogo e reforçou que a "integração plena" das Forças Democráticas da Síria (FDS), liderada pelos curdos, fortalece as instituições sírias.
No domingo e depois de duas semanas de combates, o Presidente de transição sírio, Ahmed al-Sharaa, anunciou um acordo de cessar-fogo, após um encontro no mesmo dia com o enviado norte-americano Tom Barrack.
O entendimento estipula a integração de membros da aliança armada curda síria nas forças de segurança do Estado e a transferência das suas áreas para instituições centrais.
Damasco e os curdos sírios assinaram um acordo em 10 de março de 2025 para abrir uma solução para as autoproclamadas zonas autónomas no nordeste da Síria sob administração liderada pelos curdos.
Este processo, iniciado após a queda do regime de Bashar al-Assad há mais de um ano, no seguimento de uma operação militar de uma coligação rebelde liderada por Al-Sharaa, ainda não se concretizou.
A minoria curda assumiu o controlo de vastas áreas do norte e nordeste da Síria durante a guerra civil no país entre 2011 e 2024, incluindo campos de petróleo e gás.
Na semana passada, as forças governamentais desalojaram combatentes curdos de bairros em Alepo, no norte do país, e depois ordenaram-lhes que se retirassem da cidade.
Enquanto as forças curdas recuavam sem oferecer resistência significativa, as tropas governamentais avançaram para leste no sábado e no domingo em direção a Raqqa.
A minoria curda, presente sobretudo nos territórios turco, sírio, iraquiano e iraniano, sofreu décadas de opressão na Síria, onde se estima que seja constituída por cerca de dois milhões de pessoas numa população de 20 milhões.
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