Encerrado lar ilegal investigado por maus-tratos em Sintra
- 25/01/2026
O Instituto da Segurança Social (ISS) encerrou, no sábado, "de forma urgente e imediata" o lar ilegal de Catribana, em Sintra, que mantinha vários idosos amarrados a camas improvisadas.
O caso de alegados maus-tratos foi exposto na sexta-feira pelo programa A Prova dos Factos, da RTP, e o Ministério Público já tinha aberto um inquérito.
Na sequência do encerramento do lar, e "após contacto com as respetivas famílias", dois dos idosos ficaram com familiares e "outros dois foram encaminhados para respostas sociais condignas sob a responsabilidade da Segurança Social", conforme revela o ISS em comunicado.
"Havendo indício de transferência de idosos desde a última ação de fiscalização realizada no dia 14 janeiro, considerou-se não haver condições para manter o lar em funcionamento", lê-se na mesma nota, que acrescenta que foi também feita uma ação de fiscalização a outra casa da mesma entidade proprietária, na Assafora, "tendo-se constatado que estava vazia".
A Segurança Social garante que o "lar ilegal situado na Rua das Flores n.º 9 Catribana já tinha sido alvo de ordem de encerramento" e que já tinha sido aplicada, à entidade proprietária, um "processo de contraordenação, com coimas no valor de 26.000€ e 23.000€, com sanção acessória de interdição do exercício da atividade de apoio social e da inibição do exercício da profissão ou atividade decorrente da infração praticada".
Recorde-se que a reportagem emitida pela RTP dava conta da existência deste lar a funcionar clandestinamente com vários idosos a dormir em camas improvisadas e alguns deles amarrados na mesma posição durante mais de 14 horas.
"Os familiares não sabem o que acontece lá. No fim de semana é uma casa normal; os pais estão lá lindos e plenos", denunciou uma antiga funcionária àquele canal.
De acordo com a mesma fonte, os idosos ficam sem supervisão durante mais de 10 horas, sendo obrigados a fazer as necessidades nas camas improvisadas, ficando rodeados de urina e de fezes até à chegada das funcionárias. Muitos sofrem também ferimentos que não são tratados adequadamente.
"Há muitos anos que não há enfermeiros [na residência]. […] As funcionárias fazem curativos da forma que podem", confidenciou uma das testemunhas, que deu conta de que os utentes "muito raramente vão ao hospital". "De lá, morrem", assumiu.
Os relatos apontam também para o encaminhamento de doentes internados no Hospital Amadora-Sintra, mediante o contacto da proprietária, identificada como Cristina Capelo Fernandes, com uma assistente social.














