Empresas dos EUA temem abrandamento da economia chinesa do que tarifas
- 16/01/2026
Entre as 368 empresas que responderam à sondagem da Câmara de Comércio Americana na China (AmCham China), 64% indicaram o abrandamento económico da segunda maior economia mundial como a principal preocupação, enquanto 58% apontaram as tensões comerciais sino-americanas como um dos principais desafios.
Segundo o relatório, uma das razões poderá ser o facto de muitas das empresas operarem com foco no mercado interno chinês -- com cerca de 1,4 mil milhões de consumidores -- e não dependerem diretamente das exportações para os EUA.
A economia chinesa cresceu cerca de 5% em 2025, mas os economistas preveem um abrandamento adicional este ano. As exportações superaram as importações no ano passado, originando um excedente comercial recorde de quase 1,2 biliões de dólares (mais de 1 bilião de euros).
Apesar das incertezas, o sentimento empresarial melhorou face a 2024: mais de metade das empresas inquiridas indicou ter registado lucros no último ano, contra menos de metade no ano anterior.
O ambiente tem sido volátil para os negócios norte-americanos desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca há quase um ano. No entanto, a trégua comercial alcançada entre Washington e Pequim -- após a imposição de tarifas até 145% sobre importações chinesas -- trouxe algum alívio.
Está prevista uma visita de Trump a Pequim em abril e, segundo a AmCham, o Presidente chinês, Xi Jinping, poderá deslocar-se aos EUA ainda este ano.
Apesar disso, o investimento estrangeiro na China tem vindo a diminuir. Segundo dados oficiais, o investimento direto estrangeiro fixou-se em 693 mil milhões de yuan (cerca de 85 mil milhões de euros) nos primeiros 11 meses de 2025, uma queda de 7,5% face ao ano anterior.
"As nossas empresas têm de lidar com as realidades políticas, mas continuam focadas nas oportunidades de negócio", afirmou o presidente da AmCham China, Michael Hart, numa conferência de imprensa. "Temos sentido que o Governo chinês quer atrair investimento estrangeiro, incluindo dos EUA", apontou.
O estudo revelou ainda que 48% das empresas inquiridas manifestaram otimismo quanto ao crescimento dos negócios na China nos próximos dois anos, face aos 37% registados em 2024.
Durante a conferência anual de trabalho económico, realizada em dezembro em Pequim, os líderes chineses reconheceram a necessidade de reformar e melhorar os mecanismos de promoção de investimento estrangeiro.
O inquérito da AmCham foi realizado entre 22 de outubro e 20 de novembro, na mesma altura em que Trump e Xi se encontraram na Coreia do Sul e acordaram prolongar a trégua comercial.
Leia Também: "Ponto de inflexão". Apagão forçou produção a gás (e afasta-nos da meta)













