Empresas de construção vão concentrar trabalhadores em zonas afetadas
- 02/02/2026
"Já há escassez de mão de obra na área da construção civil no país inteiro. Apesar disso, eu acho que todo o país se sente solidário com o que está aqui a acontecer e, portanto, as grandes empresas de construção civil que aqui estiveram hoje mostraram essa disponibilidade para trazer trabalhadores que estavam a trabalhar noutras regiões e que vão ser concentrados aqui na região Centro", afirmou aos jornalistas Castro Almeida.
O governante falava após uma reunião, em Leiria, com o ministro das Infraestruturas, vários secretários de Estado, construtoras, associações empresariais, a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, diversas comunidades intermunicipais, Agência para a Competitividade e Inovação (IAPMEI), os presidentes das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, e o responsável pela Estrutura de Missão para a Recuperação das Zonas Afetadas pela depressão Kristin.
Segundo o ministro, "isso significa que alguns trabalhos vão ficar para trás, vão atrasar-se", mas "é inevitável que assim seja".
"A noção que transmitiram as empresas de construção civil é que vai haver pessoas suficientes para fazer o trabalho", referiu.
Castro Almeida adiantou que na reunião foi abordada também a forma como levar para o terreno a recuperação dos edifícios, mas, principalmente, "evitar a degradação maior do mal que já está feito".
Nesse sentido, salientou ser necessária "uma intervenção de emergência para impedir o agravamento daquilo que já está", explicando que essa será suportada pelo Estado.
O governante acrescentou que se falou também sobre "formas de impedir alguma especulação de preços que comece a surgir e para fazer aprovisionamentos necessários" dos materiais e equipamentos necessários
Questionado sobre o tempo que vai demorar para reerguer esta região, Castro Almeida respondeu "muitos e muitos meses de trabalho, porque há estruturas que ficaram quase completamente destruídas".
"É como construir de novo", declarou, reiterando que os prejuízos serão superiores a dois mil milhões de euros.
Já o responsável pela Estrutura de Missão para a Recuperação das Zonas Afetadas pela depressão Kristin, Paulo Fernandes, sublinhou que têm pela frente "uma agenda ultra urgente", para impedir uma maior degradação, estimando, por isso, que o tempo de vida deste organismo seja o mais breve possível.
"A questão central é que ela viverá enquanto for necessária, mas seguramente também deixará de funcionar, e esperemos que o mais depressa possível, no dia que ela não for necessária", vincou.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Leia Também: "Situação muitíssimo grave". Castro Almeida fala em problemas no emprego













