Embalado por "arrastão", Ventura foi a Vila do Conde distribuir promessas
- 14/01/2026
Antes de André Ventura chegar a Vila do Conde, no distrito do Porto, junto ao mar, já Carla o esperava junto da deputada Cristina Rodrigues, do Chega.
"Queria falar com o candidato a Belém para partilhar consigo queixas", gritava, chamando a atenção dos presentes.
Quando Ventura saiu do carro, o entusiasmo foi o habitual: muitas pessoas se juntaram na ânsia de tirar uma fotografia, mas Carla aguardava, junto à deputada e ao memorial aos náufragos, da autoria do arquiteto Manuel Maia Gomes, que homenageia os homens desta comunidade piscatória.
Na estrutura, composta por várias cruzes de ferro em forma de uma embarcação, lê-se a frase: "O mar devolve-me uma memória de ti. E nela te resgato para a eternidade".
Foi neste local que Ventura deixou uma coroa de flores e falou com Carla, que finalmente o conseguiu abordar. Em gritos, claramente revoltada, a mulher queixou-se que o seu marido, pescador, trabalha fora do país "para ter uma vida melhor" mas é duplamente tributado.
"Os nossos maridos descontam tudo no país, chega aqui a Portugal está mês e meio, dois meses no mar, e como é que pode ser tributado como uma pessoa normal, doutor André? Onde é que está a lei para os pobres pescadores que levam a vida a trabalhar 20 horas por dia?", interrogou.
Carla queixou-se dos "comedores que estão no governo para pagar a quem não quer trabalhar" e continuou, emocionada: "Os nossos homens estão lá no sacrifício, a lutar contra vagas de mar e contra tudo e contra todos , que até dói a alma".
Foi a Carla que Ventura deixou a primeira promessa da manhã. Considerando que a pesca, tal como a agricultura, têm sido áreas desvalorizadas, o candidato repetiu a mensagem habitual: "Quero que deixemos de ter um país em que quem não faz nada esteja sempre a receber e quem tem de trabalhar passa a vida a descontar para os outros".
Do monumento até à entrada no mercado, o entusiasmo foi visível, com inúmeras pessoas se empurravam para conseguir chegar ao candidato e o abraçavam de forma efusiva, entre gritos: "Obrigada doutor Ventura, grande português, o senhor é valente, o senhor vai ganhar", "Eu já votei, já votei".
"Ventura, quando você entrar para lá a reforma que aumente", disse-lhe um idoso, que ouviu nova promessa do candidato: "Pode ter a certeza, vamos tirar a quem não precisa para dar a quem precisa".
Outro homem abordou o líder do Chega para lhe dizer que o seu filho tem necessidades especiais e não tem qualquer ajuda.
"Ele tem 19 anos, é um rapagão, e tem muitas necessidades, tem 90 e tal de incapacidade e as ajudas do Estado são miseráveis, não dá sequer para a fisioterapia", lamentou o homem. Ventura voltou às promessas: "Não há assunto que mereça mais humanidade do que isso".
À entrada do mercado municipal das Caxinas, a confusão intensificou-se, e o entusiasmo era audível: "O André vai ganhar e a mama vai acabar", gritou uma apoiante ao próprio candidato.
Enquanto Ventura estava junto à banca do peixe, e dizia que tinha "um ótimo ar", ouvia-se do lado oposto quem se queixasse de não conseguir abordar o candidato: "O pessoal quer ver o Ventura e não vê, estamos lixadas".
À saída, entre vários empurrões, um homem queixou-se que os pescadores "estão a ser perseguidos" com taxas, e Ventura não deixou escapar a deixa: "Sabe quantas taxas ambientais e de atividades temos em Portugal? Mais de mil, é uma vergonha".
"Não se esqueça de nós", pediu o homem, antes de ser arrastado pela confusão que levou Ventura de volta ao carro, rumo ao Porto.
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