Em campanha, Catarina Martins destaca desigualdade de género na Saúde
- 09/01/2026
"Precisamos de falar de novas formas de fazer política e que a democracia se reforça quando se sai do debate institucional em que se discutem cartas e Conselhos de Estado para podermos ouvir as pessoas e falar da saúde, da vida de todos os dias, das crises do país", afirmou Catarina Martins.
Ao sexto dia, o tema trazido pela candidata apoiada pelo BE à campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro foi as dificuldades das mulheres no acesso à saúde, numa conversa realizada na Escola Secundária Camões, em Lisboa, onde teve ao seu lado as ativistas Ana Coucello e Cristina Mesquita de Oliveira.
"É uma coincidência trágica que estejamos a falar destas coisas num momento em que a saúde em Portugal está a viver uma crise tão grande e em que as mulheres sentem esse impacto pela falta de acesso à saúde", começou por dizer, para explicar que o objetivo deste segundo "laboratório" temático é discutir os tabus que persistem na saúde no que respeita aos corpos femininos.
Em concreto, referiu, para lançar o debate, a lacuna que existe na investigação médica dedicada às mulheres, sobre as quais se sabe menos do que em relação aos homens, uma ideia que foi reforçada por Cristina Mesquita de Oliveira.
"Em 2025, há um 'top 10' dos estudos clínicos produzidos e apresentados que alcançaram os 'gold standards' para a investigação científica na saúde das mulheres", afirmou a fundadora da Associação Portuguesa de Menopausa, antes de mostrar uma tabela vazia.
"Acho que é o momento de nos começarmos a preocupar", alertou, sublinhando que "a saúde das mulheres tem sido construída com lacunas".
Para Ana Coucello, por outro lado, parece que o interesse no corpo feminino esgota-se quando se esgota a sua capacidade reprodutora, a atratividade sexual e a competência de cuidadora e as mulheres "perdem parte da sua utilidade".
Sublinhando igualmente a falta de investigação médica dedicada às especificidades do corpo feminino e os potenciais impactos negativos nos cuidados de saúde, Ana Coucello considerou que as mulheres são entendidas como um "desvio do modelo padrão".
Já Catarina Martins recordou alguns episódios do tempo em que era deputada na Assembleia da República, como quando propôs, no âmbito de uma discussão de Orçamento do Estado, o acesso gratuito a produtos menstruais e ouviu "risinhos nervosos".
"E Imaginem quando se falou de menopausa pela primeira vez no parlamento. Tantos risinhos nervosos, como se devêssemos ficar todas envergonhadas por haver algum momento na nossa vida em que deixamos de, como dizia Ana Coucello, servir para a reprodução", acrescentou.
Exemplos como esses reforçam, no entender da candidata a Belém, a necessidade de "quebrar o tabu da democracia paritária".
"E hoje estamos aqui a propor uma conversa sobre a saúde das mulheres, porque está enrolada em tantos 'tabus' que obriga a discutir coisas que nunca são discutidas. Espera-se que possamos falar delas sem aqueles risinhos tontos de quem acha que há temas que não se tocam", sublinhou.
Ao longo da campanha, Catarina Martins tem insistido que, enquanto chefe de Estado, pretende dar visibilidade aos problemas das pessoas, aos temas do quotidiano, incluindo hoje a saúde das mulheres.
"Eu proponho que, contra a moderação que significa deixar tudo exatamente na mesma, haja a política da exigência de construir um país melhor e de termos mesmo a democracia paritária, essa democracia em que as mulheres também decidem sobre a vida, em que homens e mulheres decidem em igualdade", concluiu.
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