Em cadeira de rodas, Markl lamenta falta de acessibilidade. "Um inferno"
- 19/01/2026
Nuno Markl, de 54 anos, passou o último fim de semana em casa depois de uma longa temporada de internamento no hospital na sequência de ter sofrido dois AVC's.
Ainda em recuperação e em regime de internamento hospitalar, o humorista, guionista e radialista de 54 anos teve autorização da equipa médica para ir votar nas eleições presidenciais.
Esta primeira saída do hospital naquela que é para já a sua nova realidade, deslocando-se através de cadeira de rodas, permitiu a Markl deparar-se com a dura realidade da falta de acessibilidade para quem se movimenta com algum tipo de condicionamento.
Nuno Markl deparou-se com as ruas pouco ou nada preparadas para quem se desloca em cadeira de rodas, como é agora o seu caso.
"A escola onde votei tinha rampas; mas todo o passeio em redor era um inferno com uma cadeira de rodas. Agora percebo com clareza o quanto este país se está nas tintas para a acessibilidade", lamentou.
© Reprodução Instagram - Nuno Markl
"Não consegui entrar na minha sala de voto e tive de votar cá fora"
Às suas palavras, Markl juntou um vídeo do criador de conteúdo digital e empreendedor Nuno de Carvalho Mata. Nuno ficou tetraplégico em 2012 ao executar uma pega enquanto forcado na praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa.
"Tive que votar na rua", é assim que dá início a um vídeo onde lamenta que, "ano após ano", esta seja a sua realidade devido à falta de acessibilidades da escola onde vota.
"Infelizmente, mais uma vez, não consegui entrar na minha sala de voto e tive de votar cá fora. Devido à letra do meu nome calho sempre na mesma sala, sala essa com degrau. Resultado, não consigo aceder ao interior e voto na rua.
No ano passado, quem trouxe a urna cá fora disse que tinha de me ver votar, com receio de que fosse a Carina a fazê-lo por mim, porque é ela quem coloca o adaptador de escrita. Vejam as circunstâncias em que tenho de votar. Desta vez sugeriram que votasse em cima da urna, com uma pessoa a segurá-la. Eu disse que não, quero exercer o meu direito ao voto secreto, como qualquer cidadão.
Será assim tão difícil prever estas situações e encaminhar as pessoas com mobilidade reduzida para salas acessíveis, ou fazer previamente um levantamento e atribuir essas pessoas a uma sala com rampas e portas adequadas. É só pensar um bocadinho e organizar, para que quem usa cadeira de rodas possa votar dentro da sala, com dignidade e privacidade. Simples.
Podem, por favor, começar a resolver isto, para que ninguém tenha de passar por este desconforto e esta falta de respeito.
Aguenta a guinada", pode ainda ler-se no testemunho de Nuno de Carvalho Mata.
Eis abaixo a publicação completa:














