Doze caças F16 e 400 militares dos EUA. O que se passa na Base das Lajes?

  • 19/02/2026

A Base das Lajes registou na quarta-feira, 18 de fevereiro, um maior movimento de aeronaves militares dos Estados Unidos da América (EUA). Ao todo, estiveram estacionados na ilha Terceira, nos Açores, 11 reabastecedores KC-46 Pegasus, 12 caças F-16 Viper e um cargueiro militar C-17 Globemaster III, assim como cerca de 400 militares norte-americanos.

 

Durante o mesmo período, revelou a agência Lusa ontem, alguns caças americanos levantaram voo e voltaram a aterrar.

O que se passa na Base das Lajes é, para já uma incógnita, mas suspeita-se que a administração de Donald Trump esteja a preparar um novo ataque ao Irão, tal como aconteceu em junho de 2025.

O que dizem os EUA?

A Lusa questionou, por escrito, a Força Aérea norte-americana na Base das Lajes sobre este aumento de movimento de aeronaves, mas até ao momento não obteve resposta.

A agência Lusa também contactou o Departamento de Estado e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para obter esclarecimentos sobre estas movimentações nas Lajes.

"O Comando Europeu dos EUA recebe regularmente aeronaves e pessoal militar dos EUA em trânsito, de acordo com os acordos de acesso, base e sobrevoo celebrados com aliados e parceiros", afirmou o Pentágono (Departamento de Defesa) numa breve mensagem escrita.

"Tendo em conta a segurança operacional dos bens e do pessoal dos EUA, não é possível divulgar mais detalhes neste momento", acrescentou.

E o que diz o Governo português?

Contactados igualmente pela Lusa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português escusou-se a comentar e o Ministério da Defesa Nacional não respondeu.

Segundo a página de Facebook Asas dos Açores, que partilha fotografias e vídeos de aeronaves nos aeroportos da região, já na terça-feira tinham aterrado nas Lajes 12 caças F-16 e um reabastecedor K6-46.

Ataque iminente dos EUA ao Irão? "Probabilidade é de 90%"

Perante tal movimento, presume-se que, à semelhança de uma operação semelhante em junho passado, que antecedeu o ataque dos EUA às instalações nucleares do Irão, a Casa Branca esteja a utilizar território português para concretizar mais uma investida contra este país do Médio Oriente.

De acordo com a CBS, o ataque poderá ocorrer já este fim de semana, apesar de ainda não haver uma decisão definitiva.

Ainda ontem, a porta-voz da Casa Branca afirmou que o Irão "faria bem" em chegar a um acordo com os EUA s e considerou que existem "muitas razões" para atacar o país.

As declarações de Karoline Leavitt surgiram num momento em que os EUA estão também a intensificar o contingente militar no Médio Oriente.

Recorde-se que Donald Trump ameaçou o Irão várias vezes com uma intervenção militar se as discussões em curso não resultarem num acordo sobre o programa nuclear iraniano.

O exército norte-americano conta atualmente com 13 navios de guerra no Médio Oriente: o porta-aviões Abraham Lincoln, que chegou no final de janeiro, nove contratorpedeiros e três fragatas, indicou um responsável norte-americano citado pela agência de notícias France-Presse.

A caminho da região está também o maior porta-aviões do mundo Gerald Ford, depois de Trump ter ordenado o envio para a região em meados de fevereiro.

O Gerald Ford está acompanhado por três contratorpedeiros.

É raro que dois porta-aviões norte-americanos, que transportam dezenas de aviões de combate e operam com milhares de marinheiros a bordo, estejam posicionados ao mesmo tempo no Médio Oriente.

Isso aconteceu em junho passado, quando Trump decidiu realizar ataques aéreos contra três instalações nucleares iranianas durante uma guerra de 12 dias desencadeada por Israel.

Entretanto, o meio de comunicação social norte-americano Axios avançou, citando um conselheiro próximo da administração Trump, que a probabilidade de os Estados Unidos atacarem o Irão era de 90%.

Outras fontes não identificadas mencionadas no artigo disseram que uma eventual campanha militar seria uma iniciativa conjunta com Israel e teria um alcance muito superior aos ataques disferidos pelos EUA às instalações nucleares iranianas em junho do ano passado.

Uma operação militar dos EUA no Irão seria provavelmente uma campanha maciça, com duração de semanas, que se assemelharia mais a uma guerra total do que à operação pontual do mês passado na Venezuela, afirmaram as fontes.

Na terça-feira, o Irão afirmou que Teerão e Washington chegaram a um acordo na Suíça sobre "um conjunto de princípios orientadores" para um possível acordo, mas o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, observou que as divergências persistiam em relação às "linhas vermelhas" impostas pelos norte-americanos.

As conversações indiretas abordaram questões técnicas relacionadas com o levantamento das sanções impostas ao Irão e os compromissos nucleares.

Washington insistiu em incluir o programa de mísseis balísticos do Irão, o que Teerão rejeitou, realçando diferenças significativas entre os dois lados.

O Irão tem reafirmado o direito de enriquecer urânio no âmbito de um programa nuclear para fins civis.

O Ocidente e Israel contestam a versão de Teerão, argumentando que não existe uma justificação civil credível para a escala das ambições atómicas iranianas.

Forte presença nas Lajes só em "grandes exercícios ou quando EUA se prepara para operações"

Como realçou o tenente-general Rafael Martins, na CNN Portugal, uma presença das forças militares dos EUA na Base das Lajes, como a que ocorreu nos últimos dias, só acontece quando há "grandes exercícios ou quando [a Casa Branca] se prepara para operações".

"Temos indicadores que é uma forte possibilidade [o ataque]. Há ainda alguma esperança que, nas próximas duas semanas - que é mais ou menos o tempo que o porta-aviões "Gerald Ford" demora a chegar à região, assim como as forças navais que o acompanham - estejam em posição para esse mesmo ataque. Os indicadores são esses, [o que representa] esta projeção de força intercontinental. Os EUA fazem normalmente isto quando estão ou em grandes exercícios ou a preparar-se efetivamente para operações. Tudo isto são indicadores de que os EUA e, eventualmente, também Israel estão a preparar-se para a opção militar e estão a destacar e projetar forças para esse efeito", explicou o especialista.

Já para o comentador Marcos Farias Ferreira, professor do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, sublinha que o que é mais preocupante é que "o território português esteja a ser utilizado [mais uma vez] para manobras que vão no sentido de concretizar a estratégia de Trump".

Para já, tanto o Governo central, como o regional Governo regional (e até os partidos da oposição) estão a fazer voto de silêncio à presença do forte dispositivo militar norte-americano que se encontra na Base das Lajes.

Leia Também: Base das Lajes com maior movimentação de aeronaves norte-americanas

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/pais/2941680/doze-cacas-f16-e-400-militares-dos-eua-o-que-se-passa-na-base-das-lajes#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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