Doze acusados em Israel por tráfico de bens proibidos para Gaza
- 04/02/2026
As autoridades judiciais indicaram, em comunicado, que iniciaram as primeiras acusações contra este grupo no Tribunal Distrital de Beersheba (sul de Israel), a que se deverão somar outras nos próximos dias.
Um irmão de David Zini, chefe do serviço de informações internas de Israel (Shin Bet), também está a ser investigado, embora não esteja na lista dos primeiros acusados.
A rede é acusada de atuar desde o verão passado, coincidindo com o bloqueio total à entrada de mercadorias na Faixa de Gaza, imposto por Israel.
Doze homens com idades entre os 30 e os 55 anos, alguns dos quais reservistas do exército israelita, são acusados ??de evasão fiscal, recebimento ou oferta de suborno, contrabando para fins terroristas e auxílio ao inimigo em tempo de guerra.
Os dois últimos crimes foram adicionados por se considerar que os acusados "cometeram os atos cientes da possibilidade de as mercadorias proibidas chegarem à organização Hamas", o grupo islamita palestiniano em guerra com Israel durante mais de dois anos até ao cessar-fogo que entrou em vigor em 10 de outubro.
A acusação descreveu que os 12 homens lucraram com a entrada de mercadorias na Faixa de Gaza desde o verão de 2025, quando um grupo de peritos da ONU declarou uma situação de fome no norte do enclave devido ao bloqueio total imposto por Israel.
O Canal 12 de Israel avançou que o caso começou há mês e meio, quando os soldados israelitas detetaram um camião suspeito em Gaza e encontraram no interior drones, telefones, baterias, pesticidas, cabos e outros objetos cuja entrada na Faixa de Gaza é proibida.
Após a trégua em vigor, o grupo prosseguiu o contrabando de bens, enquanto Israel mantém a restrição à entrada de ajuda humanitária e de todo o tipo de mercadorias, de acordo com denúncias de organizações internacionais e das autoridades locais, controladas pelo Hamas
"Um dos principais produtos ilícitos contrabandeados para a Faixa de Gaza é o tabaco e os cigarros", afirmou a acusação, alegando que estes produtos "rendem ao Hamas centenas de milhões de shekels [moeda israelita] desde o início da guerra".
Alguns dos arguidos agiram "explorando brechas nas passagens de fronteira", fazendo-se passar por militares e pagando a outros arguidos que serviam no exército na altura e que por sua vez são agora acusados de suborno.
David Zini, irmão do chefe do Shin Bet, Benzalel Zini, está sob investigação por suspeita de receber um suborno enquanto atuava como membro de uma equipa que autorizava a passagem de caravanas para a Faixa de Gaza, além de transportar cigarros no próprio carro para o território.
Foi entretanto negado que o chefe do serviço de segurança interna estivesse também a ser investigado.
O Ministério Público solicitou ao tribunal o confisco dos bens dos arguidos, incluindo veículos, imóveis e dinheiro em contas bancárias, num caso investigado pela polícia israelita e pelo Shin Bet, e indicou que devcerá produzir mais acusações nos próximos dias.
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