"Dor constante". Cirurgião em Londres causou lesões em quase 100 crianças
- 29/01/2026
Uma investigação do Hospital Great Ormond Street (GOSH), em Londres, Inglaterra, em determinou que um cirurgião ortopédico lesou quase 100 crianças entre 2017 e 2022.
Ao todo, a instituição, considerado uma das melhores para crianças em todo o mundo, olhou para 789 menores que estiveram sob os cuidados de Yaser Jabba, especializado em alongamento e reconstrução de membros. Dessas, a investigação concluiu que 94 foram lesadas como resultado das ações do cirurgião. Yaser operou 91 delas.
"Houve casos de remoção prematura de dispositivos de fixação, combinação de procedimentos sem justificação clara, aconselhamento inadequado sobre o risco de fraturas e dependência excessiva de funcionários juniores", pode ler-se no documento publicado esta quinta-feira, e citado pela Sky News.
E acrescenta: "Foram encontrados alguns problemas graves, incluindo mau planeamento antes da cirurgia, não tornar a área suficientemente estável, notas pouco claras ou incompletas e colocação de implantes no local errado".
O relatório encontrou ainda situações onde foram feitos "cortes no osso no nível errado ou a usar o método errado", decisões inadequadas durante cirurgias tendo em conta análises prévias e ainda casos onde não foram envolvidos os profissionais necessários para lidar com infeções.
Dos 94 pacientes lesados, 36 sofreram danos severos, 39 danos moderados e outros 19 danos leves, segundo o relatório.
De amputações a "constante dor": As vítimas de Yaser
Bunty foi uma das crianças operadas por Yaser. Nasceu com uma doença rara nos ossos, que lhe deixa uma perna curta e curvada.
O cirurgião operou a menina diversas vezes, e o membro acabou por ter de ser amputado. O relatório classificou este como um dos casos de danos moderados.
O pai da criança, Dean Stalham, afirmou que as conclusões chegaram "demasiado tarde" e que os problemas deveriam ter sido diagnosticados mais cedo.
Já Lizzie Roberts, cujo filho Tate foi operado por Yaser aos 16 anos (para tratar complicações de um acidente de carro quando tinha 6 anos) considerou que o hospital tinha feito "uma avaliação ao próprio trabalho de casa".
Tate, contou a mãe, citada pela BBC, ficou num estado de "constante dor" depois de Yaser ter operado o tornozelo do jovem - numa cirurgia para a qual não tinha autorização. A operação era suposto ter sido apenas ao joelho.
O jovem terá agora de ser submetido a novas cirurgias e foi forçado a desistir da universidade devido à situação. Tate é também um dos casos de danos moderados.
O mesmo foi aplicado a James Wood que aos 12 anos ficou com dores "horríveis" depois de Yaser ter realizado um procedimento para lhe esticar o tecido do joelho, fixando uma estrutura à sua perna, assim como um alongamento do seu tendão de aquiles.
Após a operação, James queixou-se de uma dor extrema na coxa direita, que apresentava também um inchaço significativo. Veio-se a descobrir que um dos pinos utilizados por Yaser para fixar a estrutura na perna do jovem tinha perfurado a coxa de James, causando hemorragias e danos na sua artéria femoral ao ser removido.
Bunty após uma cirurgia de Yaser Jabbar© @TheGriftReport/X
Hospital pede desculpa e garante ter feito alterações no serviço
Após a publicação das conclusões, o chefe executivo do GOSH. Matthew Shaw, afirmou que a instituição pedia "profundas desculpas" a todos os que foram afetados pela conduta do cirurgião.
"Nós sabemos que isto chega tarde para as famílias afetadas por este assunto, mas estamos comprometidos em garantir que o nosso hospital é um lugar melhor e mais seguro para os nossos pacientes atuais e futuros", afirmou Shaw.
O hospital garantiu ainda que foram feitas alterações tanto ao serviço ortopédico como por toda a unidade de saúde para minimizar a probabilidade de algo semelhante voltar a acontecer.
Yaser Jabbar entregou a sua licença médica em janeiro de 2024 e acredita-se que tenha mudado de país.
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