Donald Trump quer liderar Conselho de Paz (que é concorrente da ONU)
- 21/01/2026
O preço de um lugar permanente é de mil milhões de dólares (854,3 mil milhões de euros, ao câmbio atual), de acordo com uma cópia do documento sobre o novo organismo obtida pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Trump tem sido muito crítico da ONU, criada em 1945, no rescaldo da II Guerra Mundial, que conta atualmente com 193 Estados-membros.
Os Estados Unidos são membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, juntamente com a China, o Reino Unido, a França e a Rússia, com direito de veto.
Eis o que se sabe da proposta de Trump, segundo a AFP:
De que se trata?
A Casa Branca (presidência) anunciou que, por força do plano para pôr fim à guerra no território palestiniano da Faixa de Gaza apoiado por Washington, seria formado um Conselho de Paz presidido por Donald Trump.
Desde o passado fim de semana, diversos países indicaram ter recebido um convite para participar, nomeadamente a França, a Alemanha, o Canadá, a Rússia e a China.
Mas o projeto de Carta, ou tratado fundador, revela uma iniciativa e um mandato muito mais vastos do que a simples questão de Gaza, e parece fazer do Conselho de Paz um verdadeiro substituto das Nações Unidas.
A missão
O Conselho de Paz é uma organização internacional que visa promover a estabilidade, restaurar uma governação fiável e legítima, e garantir uma paz duradoura nas regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos, segundo o projeto de Carta enviado aos países.
No texto de oito páginas, os Estados Unidos criticam as abordagens e instituições que falharam demasiadas vezes, numa alusão clara à ONU, e apelam para se ter a coragem de se afastar delas.
Defendem também a necessidade de uma organização de paz internacional mais ágil e eficaz.
Trump todo-poderoso
Donald Trump será o primeiro presidente do Conselho de Paz, cujos poderes previstos são muito extensos.
É o único habilitado a convidar outros chefes de Estado e de governo a integrar o Conselho e pode revogar a sua participação, salvo em caso de veto por uma maioria de dois terços dos Estados-membros.
O conselho executivo, dirigido por Trump, incluirá sete membros, entre os quais o secretário de Estado, Marco Rubio, o emissário especial Steve Witkoff, o genro do Presidente, Jared Kushner, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
Um responsável norte-americano confirmou, sob a condição de não ser relevado o nome, que Trump poderá conservar a presidência, incluindo após o fim do mandato na Casa Branca, até que se demita.
Bilhete de entrada
Cada Estado-membro exerce um mandato com uma duração máxima de três anos, renovável pelo presidente do Conselho.
O mandato de três anos não se aplica aos Estados-membros que paguem mais de mil milhões de dólares ao Conselho de Paz durante o primeiro ano após a entrada em vigor da Carta, acrescenta o texto, sem mais precisões.
Que países disseram que sim?
O Egito anunciou hoje que o Presidente Abdel Fattah al-Sissi aceitou o convite de Trump para integrar o Conselho de Paz.
Também o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse que sim, à semelhança do rei Mohamed VI de Marrocos, do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed ben Zayed Al Nahyane, e do rei do Bahrein, Hamad ben Issa al-Khalifa.
Também aceitaram os presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e os primeiros-ministros da Hungria, Viktor Orbán, e da Arménia, Nikol Pashinyan.
Que países disseram que não?
O círculo próximo do Presidente Emmanuel Macron respondeu na segunda-feira que a França não pode dar seguimento favorável ao convite nesta fase, o que levou Trump a ameaçar impor 200% de direitos alfandegários nos vinhos e champanhes franceses.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse na terça-feira ter recebido um convite, mas que não se imaginava a participar ao lado da Rússia, dado que Vladimir Putin também figurava na lista de convidados.
A Noruega anunciou hoje que não participará.
Que países reservam uma resposta?
Trump confirmou na segunda-feira à noite ter convidado Putin a juntar-se ao Conselho. Moscovo disse querer clarificar todos os aspetos da proposta com Washington antes de se pronunciar.
O Governo britânico disse estar preocupado com o convite feito ao Presidente da Rússia, argumentando que Putin provou repetidamente não estar seriamente empenhado na paz.
Londres confirmou que o Reino Unido recebeu um convite e estava a analisar as modalidades em contacto com os Estados Unidos e os outros parceiros internacionais.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também foi convidada e reservou uma resposta, segundo declarou na segunda-feira um porta-voz em Bruxelas.
O Governo alemão expressou a necessidade de se coordenar com os parceiros.
A China, após ter confirmado ter recebido um convite, não disse se o aceitava, mas indicou hoje, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, defender firmemente o sistema internacional com as Nações Unidas no centro.
No Canadá, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Anita Anand, declarou à AFP que o Governo estava a analisar a situação, mas que não iria pagar mil milhões de dólares.
Que países foram convidados?
A Casa Branca não publicou a lista dos países convidados, mas numerosas capitais fizeram saber que os respetivos dirigentes tinham sido convidados.
Entre os outros países que confirmaram ter recebido um convite figuram a Itália, a Suécia, a Finlândia, a Albânia, a Grécia, a Eslovénia, a Polónia, o Brasil, o Paraguai, a Jordânia, a Turquia, ou ainda a Índia e a Coreia do Sul.
Quando?
Segundo a proposta de Carta do Conselho de Paz, a entrada em vigor deverá ocorrer quando pelo menos três Estados a tiverem assinado.
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