Do "sequestro" à condenação: Quem é luso-venezuelana libertada agora?
- 25/01/2026
A luso-venezuelana Carla da Silva, condenada a mais de 20 anos de prisão na Venezuela, foi libertada este domingo, anunciou esta noite o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português. Foi detida durante uma festa infantil em 2020, e, nessa altura, os familiares só souberam do seu paradeiro após dias dias. Já então a mãe, Miriam Marrero, dizia que a filha era "uma presa política, uma sequestrada pelo regime."
Carla da Silva tinha sido condenada por um tribunal de Caracas em 23 de maio de 2024, juntamente com outras 28 pessoas, militares e civis, por conspirarem para derrubar o Governo da Venezuela.
A sentença foi conhecida após uma audiência de mais de 15 horas de duração, em que foram acusados de traição, conspiração, rebelião, tráfico de armas de guerra, associação para cometer crimes e financiamento de terrorismo.
Vinte dos acusados foram condenados a 30 anos de prisão e outros nove, entre eles Carla da Silva, a 21 anos de prisão, por terem alegadamente participado, em 3 de maio de 2020, na Operação Gedeón, também conhecida como Macutazo.
Esta falhada incursão marítima de ex-militares no exílio tentou, com o apoio de um antigo membro das forças especiais dos EUA, infiltrar-se no país e treinar venezuelanos para derrocar o governo do presidente Nicolás Maduro, numa operação durante a qual morreram seis dissidentes.
Em outubro de 2023, a organização não-governamental (ONG) venezuelana Foro Penal (FP) pediu às autoridades que libertassem Carla da Silva, então presa preventivamente há mais de três anos.
"Carla da Silva é uma das presas políticas na Venezuela. Foi detida arbitrariamente em 5 de maio de 2020, e encontra-se em El Helicoide [prisão em Caracas], lugar do qual tanto se conhece porque vários presos políticos estão aí [...]. Em conformidade com a nossa lei, deveria estar em liberdade, porque ninguém pode estar mais de três anos privado da liberdade preventivamente", explicou na altura o diretor do Foro Penal, Alfredo Romero.
Num vídeo então divulgado na Internet, Alfredo Romero disse que a luso-venezuelana estava detida ao cuidado do Serviço Bolivariano de Inteligência, os serviços de informação do regime de Caracas. No mesmo vídeo, a professora de filosofia Miriam Marrero, mãe de Carla da Silva, defendeu que a filha era "uma presa política, uma sequestrada pelo regime".
A imprensa venezuelana revelou na altura que Carla da Silva tinha sido detida durante uma festa infantil na qual conheceu uma mulher que teria alegadamente participado, dois dias antes, na Operación Gedeón.
A luso-venezuelana foi levada por funcionários das FAES para La Quebradita (oeste de Caracas), onde foi interrogada e impedida de regressar a casa. Só passados 20 dias é que os familiares conseguiram saber que Carla da Silva tinha sido detida e onde se encontrava.
O Foro Penal tinha revelado esta tarde na rede X que pelo menos 80 presos políticos foram libertados na Venezuela.
O governo de Delcy Rodríguez, no poder desde a captura de Maduro pelos Estados Unidos, em 3 de janeiro, prometeu desde então um "número significativo" de libertações.
Na sexta-feira, a Plataforma Democrática Unitária (PUD), que reúne a maioria da oposição venezuelana, instou o Governo a publicar uma "lista detalhada" de presos políticos libertados nas últimas semanas, depois de Delcy Rodríguez ter afirmado que 626 pessoas foram libertadas desde dezembro.
No entanto, o balanço não corresponde aos relatórios das ONG. A Foro Penal contabiliza aproximadamente metade deste número no mesmo período.
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