Do fracasso no Sporting ao sucesso na Alemanha. O que é feito de Tinga?
- 14/02/2026
O nome Paulo César Fonseca do Nascimento diz-lhe alguma coisa? Provavelmente não. Mas se lhe colocarmos em cima da mesa a alcunha Tinga, já chega lá, certo? Pois bem, este antigo médio passou pelo Sporting no início do século XXI, mas foi no futebol alemão e, sobretudo no brasileiro, que deu nas vistas no desporto-rei.
Nascido a 13 de janeiro de 1978 em Porto Alegre, no Brasil, o ex-jogador foi criado pela mãe em conjunto com outros três irmãos, mas teve de sair de casa aos 15 anos pois não tinha dinheiro para apanhar o autocarro e ir todos os dias treinar no Grêmio, clube onde deu os primeiros passos no futebol. O apelido Tinga, com o qual ficou conhecido no desporto-rei, foi-lhe colocado por ter nascido e sido criado no bairro Restinga, na zona sul de Porto Alegre.
Tinga chegou ao futebol profissional no ano de 1997 e rapidamente mostrou toda a sua qualidade. Ao serviço do Grêmio, o ex-jogador venceu duas Taças do Brasil (1997 e 2001) e um campeonato gaúcho (2001). Em agosto de 2001 tornou-se internacional A pelo Brasil, seleção pela qual somou quatro internacionalizações, e, no ano seguinte, venceu a Bola de Prata brasileira entregue pela revista Placar.
Antes desta afirmação, e ainda ligado aos quadros do emblema tricolor, esteve emprestado ao Kawasaki Frontale, da II Liga japonesa, e ao Botafogo. No Japão, conquistou o título de campeão da segunda divisão em 1999.
No seguimento de divergências salariais entre Tinga e o Grêmio, o jogador rescindiu contrato com os brasileiros e acabou por chegar ao Sporting em janeiro de 2004. No entanto, nunca conseguiu impor o seu futebol dinâmico e musculado num meio campo recheado de jogadores com talento como era dos leões nessa altura.
Tinga fez 24 jogos de leão ao peito© Getty Images
Numa primeira fase, Tinga tornou-se titular no 4x4x2 losango que fora implementado por Fernando Santos, aproveitando a lesão do compatriota Fábio Rochemback para se impor. Em onze jogos na segunda metade da época 2003/04, foi titular em 10 e fez uma assistência. Mas as coisas pioraram na temporada seguinte.
Já às ordens de José Pereiro, Tinga fez nove jogos como titular, em 13 em que foi utilizado na primeira metade de 2004/05, tendo marcado um golo ao Rapid Viena que ajudou a apurar os leões para a fase de grupos da Taça UEFA. Um ano depois de chegar a Portugal, regressou ao Brasil para jogar no Internacional, o grande rival do Grêmio. Em contrapartida, o Sporting recebeu o passe de Marcelo Labarthe e uma percentagem dos direitos sobre Clayton Xavier, jogadores que nunca chegaram a integrar o plantel leonino.
Este regresso ao futebol brasileiro acabou por se revelar frutífero para Tinga. Em Porto Alegre, acabou por ser fundamental no sucesso da equipa na Taça Libertadores de 2006, ao marcar contra o São Paulo numa vitória agregada, por 4–3. No entanto, acabou expulso na partida, naquela que acabou por ser a última pelo colorado. Atuou ainda na conquista do Campeonato Gaúcho e foi vice-campeão do Brasileirão.
Tinga fez 158 jogos com a camisola do Internacional© Getty Images
Depois de uma segunda vida no Brasil, Tinga voltou à Europa em 2006 pela porta do Borussia Dortmund. O médio adaptou-se com sucesso ao futebol alemão, o que lhe valeu o regresso à seleção brasileira após mais de cinco anos de ausência, tendo participado, na condição de suplente utilizado, nos jogos particulares diante da Suíça (novembro de 2006) e Portugal (fevereiro de 2007).
Apesar de não ter somado títulos durante as três temporadas e meia em que defendeu a equipa alemão, atuou em mais de 100 partidas e virou ídolo dos germânicos. Em 1 de abril de 2010, após não ter o seu contrato renovado, Tinga, na altura com 32 anos, voltou ao Brasil e ao Internacional. Ainda foi a tempo de conquistar mais uma Libertadores (2010), dois campeonatos gaúchos (2011 e 2012) e uma Recopa sul-americana (2011).
Tinga e Hugo Viana em ação no jogo particular entre Portugal e Brasil© Getty Images
Em 2012, e já com 34 anos de idade, transferiu-se para o Cruzeiro, onde atingiu o ponto mais alto no futebol brasileiro. Esteve dois anos e meio no emblema de Belo Horizonte e alcançou o título de campeão do Brasil em 2013 e 2014, assim como o campeonato mineiro.
Esta passagem pela Raposa ficou marcada por um caso de racismo que aconteceu a 12 fevereiro de 2014 no jogo entre Real Garcilaso e Cruzeiro, da primeira ronda da Taça Libertadores. Adeptos do emblema do Peru fizeram sons de macaco no decorrer da partida quando o ex-Sporting tocava na bola.
Tinga apontou 12 golos em 113 jogos pelo Dortmund© Getty Images
Tinga acabaria por colocar um ponto final da carreira de futebolista a 30 de abril de 2015, tendo dito nesta altura que não iria ocupar nenhum cargo no futebol. Apesar disso, o antigo jogador foi anunciado como diretor de futebol do Cruzeiro em dezembro de 2016. Acabou por ser campeão da Copa do Brasil de 2017.
Atualmente, Tinga encontra-se afastado do mundo do futebol, ainda que ligado a ele de forma direta. Além de ter uma agência de turismo em Porto Alegre, o ex-jogador vem a Portugal com frequência para assistir aos jogos do filho Davis Silva, que joga nos sub-23 do Portimonense.
Todas as semanas o Desporto ao Minuto apresenta-lhe uma nova edição da rubrica 'O que é feito de...?', que pretende recordar o percurso de algumas personalidades do mundo futebolístico que acabaram por cair no esquecimento.
Leia Também: A lotaria que o FC Porto foi buscar ao Sado. O que é feito de Cissokho?














