"Ditaduras sanguinárias". CDS do lado dos presos políticos da Venezuela
- 29/01/2026
A posição foi assumida pelo deputado João Almeida durante a sessão plenária no parlamento, em que o CDS-PP destacou, durante o período de declarações políticas, a situação dos portugueses detidos pelo regime de Nicolás Maduro e que ainda não foram libertados.
"São portugueses, são presos políticos e são vítimas da repressão do regime comunista, criminoso e opressor de Maduro", começou por afirmar, apontando a "obrigação de solidariedade e imperativo de ação para com estes compatriotas".
O tema mereceu elogios das bancadas à direita, com Rui Paulo Sousa, do Chega, a afirmar que "Donald Trump confrontou o regime de forma direta, enquanto a Europa hesitou".
Na resposta, João Almeida argumentou que não é possível combater "ditaduras sanguinárias e regimes opressores" com "proclamações diplomáticas", defendendo a necessidade de ação, uma posição que motivou críticas do Livre.
"Diz que a Venezuela foi libertada, mas o que aconteceu não foi isso, foi um ataque de uma potência estrangeiro a um outro Estado soberano", atirou Patrícia Gonçalves.
Ao apelo da deputada à defesa do direito internacional, João Almeida insistiu que "quando é para libertar, é para libertar".
"Temos de saber de que lado estamos. A senhora deputada está do lado da condenação do presidente dos Estados Unidos, eu estou do lado da defesa dos presos políticos", respondeu.
Durante a declaração política do CDS-PP houve também trocas de acusações entre as bancadas da direita e da esquerda, com deputados do PSD e CDS-PP a apontarem o silêncio de alguns partidos, e do BE em particular, quanto à situação no Irão, em contraste com a defesa da Palestina.
João Almeida chegou mesmo a mencionar a antiga líder do BE, Mariana Mortágua, e a sua participação na flotilha para Gaza, acusando-a de defender causas apenas quando "úteis nos seus combates político-partidários", motivando um pedido de defensa da honra do deputado único do partido, Fabian Figueredo, que assegurou que o BE "está há anos solidário com a causa da emancipação do povo iraniano".
Da direita à esquerda, também Rui Rocha, da IL, apontou a mira ao lado oposto do hemiciclo, acusando o PCP de ser cúmplice com o regime de Nicolás Maduro.
O Chega centrou a sua declaração política nas questões da defesa, com o deputado Pedro Pessanha a argumentar que o país vive hoje uma "encruzilhada histórica" com um contexto geopolítica que exige uma "visão clara do papel que quer desempenhar na arquitetura da segurança europeia e atlântica".
Sobre o interesse norte-americano na Gronelândia, Pedro Pessanha defendeu que "não serão equívocos ou más interpretações circunstanciais que irão alterar o futuro deste território europeu", pedindo que estes equívocos sejam "ultrapassados com diálogo, cooperação e, sobretudo, diplomacia construtiva".
O PCP, pela líder parlamentar Paula Santos, abordou a ferrovia nacional na sua declaração política, para criticar a intenção do Governo de subconcessionar as linhas suburbanas em Lisboa e no Porto, afirmando que essa opção compromete "a lógica de solidariedade e de coesão territorial" da operação da CP.
"Com este anúncio de subconcessão de linhas da CP, o Governo insiste num modelo que já comprovou ser prejudicial para as populações", disse, argumentando que no Reino Unido o executivo teve de reconhecer o erro de gastar "milhões de libras a alimentar os que parasitam os recursos públicos" na ferrovia e voltar atrás com essa opção.
Na sua declaração política, o deputado do PSD Cristóvão Norte, falou do Algarve, para salientar o "maior programa de investimento público" que a região já conheceu, dando como exemplo os avanços para a construção do novo hospital, a aposta em políticas de habitação e as políticas para combater a seca na região.
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