Disco de Astra Vaga apresenta post punk de estética retro e nostálgica
- 14/01/2026
Em entrevista à agência Lusa, Pedro Ledo, conhecido pelos projetos The Miami Flu e Lululemon, explica que esta estética era algo de que sempre gostou.
"Baseada no 'post punk' dos anos 1980, em memórias e nostalgia, com uma estética visual de 'glitching', de televisores CRT, de câmaras vídeo-8. Eu sempre gostei disto. (...) Quando me apanhei sozinho, porque toda a minha vida estive em bandas, houve alguma coisa que me chamou para começar este caminho", conta.
Lançado pela Saliva Diva, "Unção Honrosa" mistura a distorção na guitarra aos característicos sintetizadores, com influências também do 'dream pop', mas sem tanto 'groove', antes "uma coisa mais marcada, mais quadrada, de voltar ao rock das origens", com uma roupagem "mais gótica, às vezes", mas "totalmente diferente" de todos os registos musicais anteriores na carreira.
Pela primeira vez, canta em português, uma "descoberta importante", e pela primeira vez compôs tudo sozinho, das baterias às guitarras, passando pelo baixo, pelas letras, as vozes e as melodias, com controlo "a 100% da produção".
"Foi muito libertador, porque eu sempre estive habituado a compor em banda, ou a trazer ideias para o ensaio e a ser validado. E de repente, sou eu que me tenho que validar a mim mesmo. Há ali um vazio quase, não é?", reflete.
"Unção Honrosa", e na verdade todo o projeto Astra Vaga, conjuga uma abordagem "audiovisual" às temáticas e estética que apresenta, relacionado, também, com antigos videojogos japoneses, questões de saúde mental e a vivência do 'salaryman' (o homem assalariado, em tradução livre) nipónico.
Porque vive a recordação de forma muito forte, "porque as memórias são coisas especiais", mesmo que por vezes se lembre o passado "de uma forma que não foi bem como aconteceu, mas sempre com óculos de lentes cor de rosa", esse passado como "sonho distante" acabou por guiar a direção do álbum.
"O disco fala deste desencontro amoroso. Fala de nostalgia e de olhar para o passado como um sonho distante e fala também das dificuldades, fala de problemas mentais, coisas que sofri e algumas de que ainda sofro, e fala também de libertação. Trabalhei 12 anos em empresas, tive uma vida 'corporate' que não era nem perto do que eu sonhei nem do que eu queria", afirma.
Pedro Ledo, natural de Vale de Cambra e a viver no Porto, já tem "ideias para um disco a seguir, ideias e rascunhos", mas para já segue-se uma fase de apresentação do projeto em concertos, a começar no dia 30 de janeiro, em Lisboa, na Casa Capitão.
Em 06 de fevereiro, toca em Coimbra, no Teatrão, no dia seguinte estará no Mavy, em Braga, antecedendo concertos a 19 de fevereiro, no Maus Hábitos, no Porto, a 14 de março no CAA, em Guimarães, e no dia 27 desse mês no Barreirinha, no Funchal.
Em 2027, o músico admite "preparar uma 'tour' no Brasil".
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