Detido guionista Mehdi Mahmoudian, nomeado para Óscar em Hollywood
- 02/02/2026
Citando fontes da distribuidora do filme nos Estados Unidos, a Neon, a revista norte-americana Hollywood Reporter informou que o iraniano foi detido juntamente com outras duas pessoas, Vida Rabbani e Abdullah Momeni, que também subscreveram a carta a contestar a ações do 'ayatollah' Ali Khamenei.
Entre os signatários do documento encontram-se ainda o cineasta Jafar Panahi, realizador do filme, que se encontra nos Estados Unidos numa digressão de promoção, e o realizador Mohammad Rasoulof, exilado na Alemanha, bem como as laureadas com os prémios Nobel da Paz, Narges Mohammadi, e Sakharov, Nasrin Sotoudeh.
As autoridades iranianas ainda não confirmaram a detenção nem forneceram pormenores sobre as acusações contra os detidos, referiu a Hollywood Reporter.
No documento, os signatários criticam Khamenei por "autorizar o assassínio em grande escala e sistemático de cidadãos" durante a repressão das manifestações contra o governo que ocorreram na República Islâmica nas últimas semanas.
"O assassínio em grande escala e sistemático de cidadãos que, com coragem, saíram à rua para pôr fim a um regime ilegítimo constitui um crime organizado de Estado contra a humanidade", sublinhou a declaração conjunta, que denuncia o uso de munições contra civis, homicídios, detenções, perseguições, o assassínio de manifestantes feridos e a obstrução do acesso a cuidados médicos, entre outros atos.
A responsabilidade por estas "atrocidades" recai sobre o 'ayatollah' Ali Khamenei, sustentou a missiva assinada por várias personalidades iranianas, que alude ao "aparelho autoritário" do regime para cometer "assassínios em massa" apenas "para garantir a sua sobrevivência".
O Governo iraniano reconheceu mais de 3.000 mortos, mas organizações de defesa dos direitos humanos apontam para um número que ascende a dezenas de milhares.
O filme "Foi Só Um Acidente", exibido em Portugal, conta a história de um antigo preso político que pondera vingar-se violentamente do seu torturador na prisão. O filme foi coescrito por Panahi, Mahmoudian, Nader Saeiver e Shadhmer Rastin.
Trata-se do primeiro filme de Panahi desde que saiu da prisão no Irão, tendo conquistado a Palma de Ouro em Cannes e está nomeado para dois Óscares, nas categorias de Melhor Argumento Original e Melhor Filme Internacional.
Panahi e Mahmoudian conheceram-se na prisão, segundo declarou o realizador num comunicado após ter tido conhecimento da detenção.
"Desde o primeiro dia destacou-se, não apenas pela sua postura serena e comportamento afável, mas também pelo seu excecional sentido de responsabilidade para com os outros. Sempre que chegava um novo recluso, Mehdi tentava suprir as suas necessidades básicas e, sobretudo, oferecer-lhe tranquilidade", sublinhou Panahi.
Mahmoudiam, prosseguiu Panahi, tornou-se um pilar de serenidade dentro da prisão, alguém em quem reclusos de todas as crenças e origens confiavam.
"Meses após a sua libertação (...) pedi-lhe que me ajudasse a apurar os diálogos. Os seus nove anos de prisão deram-lhe um conhecimento direto do sistema judicial e da vida prisional. Além disso, o seu vasto trabalho de campo em direitos humanos tornou-o numa fonte de consulta fiável e credível", acrescentou.
Também Panahi foi condenado à revelia a um ano de prisão pelas autoridades iranianas, em dezembro passado, por motivos semelhantes aos de Mehdi Mahmoudian, tendo assegurado que, assim que termine a promoção do filme, regressará ao Irão.
Leia Também: HBO aponta estreia da série de "Harry Potter" para começo de 2027













