Detenções de suspeitos do grupo 1143 confirmam alertas, diz coletivo GARA
- 23/01/2026
Em comunicado, o Grupo de Ação Revolucionária Antifascista (GARA) indica que "estes acontecimentos não constituem um 'caso isolado'".
A Polícia Judiciária anunciou na terça-feira ter desmantelado uma associação criminosa, identificada como 1143, que praticava crimes de ódio, tendo detido 37 suspeitos com "vastos antecedentes criminais" e "ligações a grupos de ódio internacionais", entre os quais estão um elemento da PSP e um militar.
Indicou que no âmbito da operação "Irmandade" foram ainda constituídos outros 15 arguidos e realizadas 65 buscas, acrescentando que os detidos, entre os 30 e os 54 anos, "adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes".
O grupo terá como líder Mário Machado, que está a cumprir pena por crimes da mesma natureza e que dava as instruções a partir da cadeia.
Para o GARA, trata-se da "confirmação tardia de uma realidade que (...) denuncia há anos, muitas vezes na indiferença geral dos sucessivos governos, autoridades e forças políticas: a consolidação de estruturas neonazis organizadas, violentas e ideologicamente comprometidas com o fascismo histórico e contemporâneo, incluindo práticas de cariz paramilitar".
O coletivo considera que "a situação assume uma gravidade extrema" porque confirma os alertas que tem vindo a fazer "sobre haver elementos ligados ao partido Chega que integram esta milícia neonazi, tal como forças policiais".
Tal "ligação não pode ser relativizada nem tratada como coincidência", assinala o GARA, acrescentando que "demonstra a existência de pontes diretas entre a extrema-direita parlamentar e estruturas neonazis organizadas, expondo o risco real de infiltração fascista nas instituições democráticas", o que constitui "uma ameaça concreta à segurança pública, ao Estado de direito e às liberdades fundamentais".
O coletivo diz que "o Estado português optou pela inação e pela ocultação", dando como exemplo a retirada de um capítulo da versão final do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2024 que dava conta da presença de um grupo de extrema-direita em Portugal.
Em abril, o Bloco de Esquerda disse que ia questionar o primeiro-ministro sobre o "capítulo amputado" do RASI, depois de PSD, CDS-PP e Chega terem rejeitado um debate sobre o documento proposto pelo BE, rejeição que foi também fortemente criticada por PS, PCP e Livre.
O capítulo em causa intitulava-se "extremismos e ameaças híbridas" e constava numa versão preliminar do relatório, que o Sistema de Segurança Interna (SSI) disse tratar-se de uma "versão de trabalho".
"Esta remoção não é um erro técnico nem uma omissão inocente: é um ato político consciente, que visa desvalorizar a ameaça fascista, proteger interesses e evitar o confronto direto com a extrema-direita", diz o GARA no comunicado, acrescentado que, "ao fazê-lo, o governo assume uma responsabilidade direta na criação de condições que permitem o crescimento, a reorganização e a violência destes grupos".
O grupo antifascista refere que o "atual governo tem legitimado e normalizado o discurso de ódio do partido Chega" e que face "a este cenário de cumplicidade e perigo real" vai "prosseguir e intensificar a luta antifascista ativa, em todos os espaços --- sociais, políticos, culturais e comunitários".
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