Deslocação a Bruxelas durante tempestades? "Esperada uma semana normal"
- 04/02/2026
O Comandante Nacional de Emergência e Proteção Civil, Mário Silvestre, defendeu esta quarta-feira que só se ausentou de Portugal durante três dias para uma formação de Bruxelas, na Bélgica, porque era esperada uma "semana perfeitamente normal" e garantiu que, se soubesse que a depressão Kristin iria afetar Portugal, "era óbvio que não ia sair do país".
"A minha presença física nada teria mudado (...) qualquer outro tipo de medida além daquelas que foram tomadas", afirmou Mário Silvestre, dizendo que no dia 25 de janeiro "nada antevia" as consequências da depressão Kristin.
"No dia 25, domingo, tivemos um briefing com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que nada antevia que haveria a depressão Kristin... Fizémos uma avaliação do cenário e seria uma semana perfeitamente normal, com uma situação tipicamente de inverno", começou por referir, em conferência de imprensa.
O responsável frisou que "não havia, no domingo, que nos indicasse que iríamos ter o fenómeno que depois tivemos na madrugada de quarta-feira".
Foi então decidido que poderia deslocar-se a Bruxelas no âmbito das funções, mas durante a sua ausência continuou a acompanhar a situação do mau tempo em Portugal, elogiando o "trabalho bem feito" do segundo comandante e o resto da sua equipa.
"O trabalho que eles fizeram foi todo ele bem feito, coordenado comigo, coordenado com o presidente [José Manuel Moura]. O centro de coordenação operacional reuniu como tinha que reunir. Houve conferência de imprensa. Nada deixou de ser feito por causa da minha ausência", vincou.
"A minha presença física em Carnaxide [sede da ANEPC] nada teria mudado", disse.
"Obviamente, se eu soubesse no dia 25 que a depressão Kristin nos ia afetar, era óbvio que não ia sair do país", frisou ainda, quando questionado pelos jornalistas.
Deslocação foi autorizada pelo presidente da ANEPC
Segundo avançou a revista Sábado, na terça-feira, Mário Silvestre esteve três dias em Bruxelas, com autorização do presidente da ANEPC, José Manuel Moura. A formação começou pouco tempo depois da depressão Ingrid, durou entre a depressão Joseph e terminou antes da depressão Kristin.
O responsável esteve em Bruxelas no âmbito do curso de auditor de Defesa Nacional do Instituto da Defesa Nacional, em Lisboa.
"A deslocação foi autorizada pelo presidente da ANEPC, uma vez que, à data da partida, não existia qualquer informação relativa à depressão Kristin, da qual apenas fomos formalmente informados no dia 26 de janeiro, às 21h30, com confirmação no dia 27 de janeiro", adiantou fonte oficial da ANEPC à Sábado.
A mesma fonte sublinhou que o "Comando Nacional de Emergência e Proteção Civil é uma estrutura hierarquizada, tendo estado permanentemente assegurada a presença do 2.º Comandante Nacional e dos cinco Adjuntos Nacionais, que garantem, naturalmente as ausências e impedimentos".
Portugal enfrenta hoje a chegada de uma nova tempestade, ainda com populações privadas de eletricidade e a precisar de ajuda, após uma semana de chuva intensa e ventos fortes que causaram 10 mortes e deixaram 68 concelhos em calamidade.
O IPMA indicou, na terça-feira, em comunicado que as ondulações frontais associadas à depressão Leonardo irão afetar o estado do tempo em Portugal continental até sábado, com períodos em que a precipitação será persistente e por vezes forte, queda de neve nas terras altas do Norte e Centro, vento forte e agitação marítima forte.














