"Desafio novo". Marcelo defende criação de comissão técnica independente
- 31/01/2026
Durante uma visita ao parque de campismo da Figueira da Foz, no distrito de Coimbra, Marcelo Rebelo de Sousa justificou a necessidade desta comissão por se tratar de "um desafio novo".
Na sua opinião, terminado o "período crítico de resposta", deve ser constituída esta comissão, envolvendo Governo e Assembleia da República e "recorrendo a independentes".
"Foi o que aconteceu na altura dos incêndios, para todos os partidos participarem, para haver uma avaliação que não é meramente técnica do funcionamento de um sistema, mas é de avaliação e preparação para o futuro", frisou.
Estas afirmações do Chefe de Estado surgiram na sequência de uma pergunta dos jornalistas ao secretário de Estado Rui Rocha sobre a sugestão deixada pelo candidato presidencial André Ventura de haver uma "profunda auditoria" à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
"Estou convencido de que nós precisamos mesmo de uma auditoria, sobretudo na Proteção Civil, porque a Proteção Civil tornou-se, nos últimos anos, - e nestas tragédias devemos ser mais exigentes - um reduto de 'boys and girls' do PSD e do PS", afirmou André Ventura, durante uma sessão de esclarecimento com apoiantes na Póvoa de Varzim.
Sobre as medidas a tomar relativamente às consequências das cheias, atendendo à previsão de chuva em todo o território continental, Marcelo Rebelo de Sousa congratulou-se pelo sentido cívico das populações.
O Presidente da República alertou que "as zonas mais baixas podem vir a sofrer consequências a partir do começo da próxima semana", e que as populações poderão ter "uma folga" para se prepararem, mas que não se sabe de quanto tempo é.
"Na vida deve-se sempre ter baixas expectativas, para ver os cenários mais complicados, porque se forem menos complicados é uma boa notícia", frisou.
Defendendo "uma estratégia de prevenção", Marcelo Rebelo de Sousa pediu: "temos de preparar, antecipar, para logo que haja um alerta poder agir".
Durante uma conversa com o secretário de Estado da Proteção Civil sobre os danos provocados pela depressão Kristin, Marcelo admitiu que, atendendo ao facto de se tratar de uma situação nova, não se sabe bem o tipo de cobertura que os seguros podem dar.
"Tem que se definir bem a fronteira daquilo que vai ser a responsabilidade pública e daquilo que as companhias de seguro ainda cobrem", sublinhou.
Além do parque de campismo, Marcelo Rebelo de Sousa visitou a Rua do Pinhal, onde se situa o edifício da antiga Universidade Internacional (que estava a ser reconvertido para centro de formação do IEFP), que sofreu danos elevados.
A visita inclui também a Zona Industrial da Gala, concretamente a empresa de derivados de resina United Resins, que viu metade do seu armazém e 80% do seu parque fotovoltaico destruídos.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
[Notícia atualizada às 12h40]
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