"Derrotar pacote laboral é tarefa imediata que sai da convenção" do BE
- 30/11/2025
"Derrotar o pacote laboral é a tarefa imediata que sai da convenção. Trabalharemos pela mobilização na rua (...) Tornaremos demasiado caro o preço a pagar pelo roubo do salário. No dia 11 de dezembro vamos parar o país e até lá todos à greve geral", disse, suscitando os aplausos dos delegados à XIV Convenção do BE.
Numa das poucas intervenções a levantar a sala do Pavilhão do Casal Vistoso, Lisboa, e depois de uma manhã de críticas a "vícios de funcionamento" do partido e de lamentos sobre a erosão da militância, Isabel Pires disse que "todos fazem falta".
Em representação da moção A, Isabel Pires disse que aceita a função para a qual foi indicada, secretária para a organização, frisando que "a organização não é tudo mas sem ela nada feito".
Criar "canais de comunicação claros", acolher novos aderentes e militantes, "por no terreno um programa de formação" em preparação, participar e apoiar "lutas no locais de trabalho" e apoiar os autarcas foram algumas das tarefas que apontou para "tornar o Bloco mais aberto, acolhedor, mais participativo".
Isabel Pires garantiu que a "força transformadora" do Bloco não desapareceu, afirmando que "se o capitalismo dá mau nome à democracia", o papel do partido é resgatá-la, e elogiou a "generosidade" de José Manuel Pureza, frisando que o novo coordenador encara "todas as lutas com generosidade, de peito aberto, combativo e solidário".
Sobre Mariana Mortágua, que deixa a liderança do partido nesta Convenção, Isabel Pires afirmou que "todos os ricos e poderosos" do país sabem o seu nome e elogiou o seu empenho na defesa de quem trabalha e por "um mundo melhor".
Antes, intervieram os representantes das moções minoritárias, com Alexandra Vieira, da moção S, a lamentar que o Bloco seja "um partido novo na idade e velho nos vícios e a pedir mudanças nos "processos e no modo de lidar com as vozes discordantes", apelando ao fim dos "equilíbrios estranhos que a maioria dos militantes não entende, mas cristalizam a direção sobre si própria".
"Os tempos são duros, horríveis e exigentes. E somos poucos os que estão deste lado da barricada. Por isso, todos contam na tarefa enorme levantar este partido do chão. Esta Convenção pode ter sido um passeio no parque para a moção A. Não há como o negar. Ainda assim, é possível vislumbrar que, com bom senso, maturidade, responsabilidade e capacidade de diálogo, uma vida diferente ou até uma nova vida seja possível para o Bloco de Esquerda. É um caminho de dois possíveis: definhar ou renascer", disse.
Pela moção H, Amália Oliveira defendeu que o Bloco precisa de "aproveitar o mau momento para perceber que é hora de repensar a estrutura do partido, assumir os erros do passado e deixar o centralismo", pedindo uma "direção coletiva, rotatividade e limitação de mandatos", bem como um portal de transparência com as contas, rendimentos e património dos dirigentes".
Ana Sofia Ligeiro, da moção B, referiu que estão presentes na Convenção 10,7% dos aderentes do partido e pediu coragem à direção para "limpar os cadernos eleitorais e assumir a real dimensão do partido", apelando à "reinstalação de um clima de confiança que permita a todos contribuir de forma plena para a reconstrução do partido".
José Carita Monteiro, da moção C, apontou a "dificuldade de implantação e franca influência no interior e no poder local" como o "enorme pecado original" do BE e defendeu que, "com maior urgência do que em 2009, é preciso uma esquerda grande".
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