Democratas acusam procuradora de encobrir informações sobre Epstein
- 11/02/2026
"Não demonstra muito interesse pelas vítimas, sejam elas as vítimas da rede de exploração de Epstein ou as vítimas da violência governamental mortal contra cidadãos americanos em Minneapolis", declarou Jamie Raskin, principal membro da comissão judicial do Congresso (câmara baixa), no início da audiência de Pam Bondi.
O congressista democrata referia-se, em particular, a dois manifestantes norte-americanos que protestavam contra as rusgas da polícia de imigração (ICE, na sigla inglesa) no estado democrata do Minnesota e que foram mortos por agentes dessa força.
"Estão do lado dos autores dos crimes e ignoram as vítimas. Esse será o vosso legado, a menos que mudem rapidamente de rumo. Estão a liderar, a partir do Departamento de Justiça, um silenciamento maciço do caso Epstein", prosseguiu.
Nas mais de três milhões de páginas do dossiê do financeiro Jeffrey Epstein, publicado em 30 de janeiro pelo Departamento de Justiça, "ocultaram os nomes dos envolvidos e cúmplices, aparentemente para evitar constrangimentos e descrédito, o que é exatamente o contrário do que a lei ordena fazer", continuou Raskin.
A divulgação de documentos da investigação ao criminoso sexual, feita no início deste mês, reacendeu controvérsias que atingem figuras políticas, a realeza britânica e norueguesa e instituições internacionais, com impactos em França, Reino Unido, México e Rússia, envolvendo também o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Pam Bondi lamentou o sofrimento das vítimas do criminoso sexual condenado, face às críticas dos democratas por publicar informações sensíveis sobre as vítimas e proteger os nomes dos abusadores.
"Lamento profundamente o que aconteceu às vítimas devido às ações deste monstro", disse, exortando a população a partilhar com as autoridades qualquer informação relativa a danos ou abusos por parte de pessoas envolvidas no caso.
"Passei toda a minha carreira a lutar pelas vítimas e continuarei a fazê-lo", acrescentou, dizendo-se "profundamente pesarosa" por todas as vítimas, em particular as de Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em agosto de 2019 antes do julgamento por exploração sexual.
Bondi destacou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos "se compromete a exigir responsabilidades" com "todo o rigor da lei".
A grande quantidade de documentos publicados em 30 de janeiro não contém nenhum elemento novo que possa levar a processos adicionais, defendeu o procurador-geral adjunto Todd Blanche, ex-advogado pessoal de Donald Trump.
A administração Trump cumpriu a obrigação, imposta por uma lei aprovada em novembro pelo Congresso, de garantir total transparência sobre este assunto, afirmou Blanche.
Embora a simples menção do nome de uma pessoa no processo não implique, 'a priori', qualquer ato repreensível, muitas personalidades temem o impacto da divulgação sobre ligações passadas com o criminoso sexual.
Durante a audiência, a representante democrata por Washington, Pramila Jayapal, pediu às vítimas de Epstein sentadas na sala que levantassem a mão caso não tivessem reunido em nenhum momento com o Departamento de Justiça: todas levantaram a mão.
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