Democracia vs extremismo? "Palhaçada habitual". Ventura diz: "Vou vencer"

  • 21/01/2026

Na ótica do candidato presidencial André Ventura, o sufrágio do próximo dia 8 de fevereiro representa "a luta entre o espaço socialista e o espaço não socialista". Confrontado com a noção de que na segunda volta das eleições que ditarão o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa estará em causa uma escolha pela democracia ou pelo extremismo, o líder do Chega foi taxativo: "É a palhaçada habitual." Aliás, André Ventura asseverou que vai "vencer", mostrando-se confiante de que "o povo social-democrata vai votar" em si, em detrimento de António José Seguro.

 

"Eu vou vencer as eleições presidenciais do dia 8. O cenário que coloco é de vencer", frisou André Ventura, no programa Grande Entrevista, da RTP, esta quarta-feira.

Ao longo de uma entrevista pautada por acusações não só contra António José Seguro, mas também contra a imprensa, o presidente do Chega deu conta de que, neste momento, é necessário "evitar que um socialista chegue à Presidência da República", uma vez que "o historial de António José Seguro é estar sempre do lado da bancarrota e da desorganização".

"Eu estive ao lado daqueles que queriam fazer reformas", disse.

"Não conhecemos uma ideia de Seguro. Seguro não se compromete sobre nada"

Perante as inferências de que a segunda volta das eleições presidenciais representa um conflito entre a democracia, na pessoa do socialista António José Seguro, e o extremismo, na sua pessoa, André Ventura foi taxativo: "É a palhaçada habitual, [estão a] gozar com as pessoas que estão em casa. É a palhaçada habitual de quem não quer discutir saúde, combate à corrupção, Justiça, habitação, segurança e imigração. […] É puro ódio contra mim, é medo que o sistema mude."

Para o candidato populista, a sua elevada taxa de rejeição prende-se com o facto de dizer "a verdade". "O país habituou-se a defender canalhas. […] Eu vim despertar o leão que há em Portugal. Vim despertar as pessoas para uma mudança. Vim para cortar a direito neste país, onde tem de ser cortado, fazer as reformas que têm de ser feitas, levar o país para o futuro", sustentou.

Questionado quanto à estratégia que pretende adotar para alargar o seu espaço eleitoral na segunda volta, Ventura desvendou que mostrará "ao país que, agora, temos duas lutas: a luta entre o espaço socialista e o espaço não socialista".

"António José Seguro representa, a todos os níveis, pensões baixas, saúde que não existe e que está um caos... Nunca o ouvimos criticar o estado em que António Costa deixou o país. Não ouvimos uma palavra sobre corrupção, sobre o estado em que o Partido Socialista (PS) deixou o país na área da Saúde. […] Não conhecemos uma ideia de Seguro. Seguro não se compromete sobre nada. […] Seguro pode fingir que passou ao lado e que não tem nada a ver com os últimos governos socialistas, mas ele esteve num governo socialista de António Guterres. Lembro-me de ele dizer num congresso que estava ao lado de José Sócrates e que iam caminhar juntos para a transformação do país. É isto que António José Seguro representa: a tralha socrática, a tralha de António Costa", denunciou.

Importa salientar, ainda assim, que o próprio André Ventura confessou ter votado em José Sócrates, numa entrevista para o livro "Dias de Raiva", da autoria de Alexandre R. Malhado. O líder populista negou tê-lo feito, depois de João Cotrim de Figueiredo o ter mencionado num debate televisivo, mas o jornalista da Sábado divulgou um áudio que comprova a afirmação.

"Eu sei que o povo social-democrata vai votar em mim"

Já no que diz respeito às declarações proferidas na noite eleitoral, durante a qual se autoproclamou o novo líder da Direita, o líder populista colocou-se à defesa: "Tive mais 900 mil votos do que nas últimas Presidenciais. Está a perguntar-me se sou líder da Direita? Quanto é teve o candidato da AD? 10%. Quanto é que teve o candidato da Iniciativa Liberal (IL)? 14%. O candidato do Chega teve 23%. Dói-vos? Aceitem, que dói menos, como se costuma dizer. A vida é assim."

André Ventura não se ficou por aqui, tendo apontado que o partido que lidera "venceu em concelhos onde nunca tinha vencido [nas eleições legislativas]".

"Venci em concelhos onde nunca tínhamos vencido. Na Madeira, terra da AD, ganhámos nos 11 concelhos. Houve uma fragmentação [da Direita] que nunca houve no passado. O PS disputou sozinho o eleitorado da Esquerda", disse.

Apesar das várias manifestações de apoio à candidatura de António José Seguro por parte de figuras ligadas ao Partido Social Democrata (PSD), o populista arriscou: "Eu sei que o povo social-democrata vai votar em mim."

De qualquer modo, André Ventura rejeitou a noção de que pretende transformar a figura do Presidente da República num segundo primeiro-ministro. Ao invés, indicou que o chefe de Estado não pode ser uma "figura simbólica" e que "temos de ter mais exigência".

"Não quero deixar que o Presidente da República seja um corta-fitas e que seja uma espécie de figura simbólica. […] Se querem ter uma figura de enfeitar, metam lá um rei", sugeriu.

Ventura não se afasta de militantes detidos por associação ao Grupo 1143

O presidente do Chega negou ter conhecimento de que pelo menos três militantes do partido, que já foram candidatos em eleições anteriores, se encontravam entre os 37 detidos na operação da Polícia Judiciária (PJ) que visou o desmantelamento do grupo de ideologia neonazi 1143. Disse, no entanto, julgar que "alguns até já tinham saído" do coletivo que lidera.

"Não, não tinha [conhecimento]. O Chega, obviamente, tornou-se um partido muito grande, com muitos militantes de todos os quadrantes e, como em todos, há situações que não são as melhores. Procurei fazer diferente dos outros líderes de partidos; procurei afastar o que tinha de ser afastado, dar uma imagem de transparência aos portugueses", assegurou.

Após criticar as questões do jornalista, uma vez que "estamos em eleições presidenciais, não em eleições de partidos", o líder populista considerou que associar o Chega ao Grupo 1143 seria "o mesmo que dizer que o PS é um partido de corrupção, porque todos os dias são presas pessoas corruptas do PS".

"Qualquer pessoa pode ser militante do Chega. O que temos de garantir é que o Chega é um partido de democracia, que quer melhorar a democracia, que quer lutar contra a corrupção, quer lutar contra a violência, quer garantir que o país não se deixa invadir de imigrantes. Também tenho o direito de dizer que, hoje, o Chega é aquele movimento que procura garantir que não somos um país que não se deixa invadir de imigrantes. Agora, podemos e devemos fazer isso sem violência, podemos fazê-lo no debate. É o que tenho procurado fazer. Não quero que o país continue a receber imigrantes islâmicos como tem recebido, não quero que a Europa continue a receber imigrantes islâmicos como tem recebido, mas quero fazê-lo sem violência, com debate e com democracia", disse.

Ventura indicou ainda ser "intolerável à violência, seja ela partidária, jornalística, de bullying digital, do que for", ambicionando "um país de debate e democracia, mas todos têm de contribuir".

"Quero o voto dos portugueses comuns. Nesses portugueses comuns estão pessoas de todos os tipos", rematou.

Leia Também: Ventura acusa Seguro de "dizer generalidades" e não se comprometer

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/politica/2923924/democracia-vs-extremismo-palhacada-habitual-ventura-diz-vou-vencer#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Top 10

top1
1. Casamento Gay

Quim Barreiros

top2
2. Claudia VS Rosinha

Claudia Martins Minhotos Marotos

top3
3. Que O Amor Te Salve Nesta Noite Escura

Pedro Abrunhosa com Sara Correia

top4
4. Porque queramos vernos feat. Matias Damasio

Vanesa Martín

top5
5. Dona Maria

Thiago Brava Ft. Jorge

top6
6. Deus de Promessas

Davi Sacer

top7
7. Caminho no Deserto

Soraya Moraes

top8
8.

Midian Lima

top9
9. Lugar Secreto

Gabriela Rocha

top10
10. A Vitória Chegou

Aurelina Dourado


Anunciantes