"Degenerado moral". Infantino defende Rússia e arma polémica com Ucrânia
- 03/02/2026
Gianni Infantino está, uma vez mais, no 'olho do furacão', na sequência de uma entrevista concedida, esta segunda-feira, à estação televisiva britânica Sky Sports, na qual defendeu vários pontos de vista, no mínimo, polémicos, entre eles, a reintegração da Rússia nas competições internacionais de futebol.
O presidente da FIFA disse ser "sempre contra os boicotes", e, ao ser questionado sobre se os mesmos deveriam ser revertidos, atirou: "Temos de o fazer. Claramente. Porque este boicote não alcançou nada, só criou mais frustração e ódio (...). Na verdade, nunca deveríamos impedir nenhum país de jogar futebol devido a atos políticos dos seus líderes. Alguém tem de manter os laços abertos".
Uma tomada de posição que mereceu uma pronta resposta por parte da própria Ucrânia, começando pela Federação de Futebol da Ucrânia (UAF), que, em forma de comunicado partilhado através das plataformas oficiais, apelou ao líder do organismo que rege o futebol mundial para que "não altere a posição" referente à "suspensão da Rússia".
"As operações militares no território da Ucrânia continuam, a situação não melhorou, os ataques estão a destruir infraestruturas civis e as vidas de civis. Os russos continuam a avançar na linha de contacto. Devido aos constantes ataques em bases ao longo do país, milhões de ucranianos foram deixados sem eletricidade, água e aquecimento", pode ler-se.
"Nós não concordamos com a declarações de que um boicote contra um agressor não funciona. Consideramos a suspensão da participação em competições um método eficaz de pressão contra um agressor. A potencial reintegração de qualquer equipa russa coloca em causa a segurança e a integridade da competição", acrescenta.
"Rússia continua a matar, enquanto degenerados morais sugerem a retirada de boicotes"
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, também não perdeu pela demora, e recorreu à rede social X (o antigo Twitter) para condenar esta tomada de posição por parte de Gianni Infantino, comparando mesmo o atual cenário àquele que se viveu em 1936, quando a Alemanha, liderada por Adolf Hitler, organizou os Jogos Olímpicos.
"679 raparigas e rapazes ucranianos nunca serão capazes de jogar futebol - a Rússia matou-os. E continua a matar mais, enquanto degenerados morais sugerem a retirada de boicotes, apesar do fracasso da Rússia para terminar a sua guerra. Futuras gerações vão ver isto como uma vergonha reminiscente dos Jogos Olímpicos de 1936", escreveu.
679 Ukrainian girls and boys will never be able to play football — Russia killed them.
— Andrii Sybiha 🇺🇦 (@andrii_sybiha) February 2, 2026
And it keeps killing more while moral degenerates suggest lifting bans, despite Russia’s failure to end its war.
Future generations will view this as a shame reminiscent of the 1936 Olympics. pic.twitter.com/elakyRgeIZ
Matvii Bidnyi, ministro do Desporto ucraniano, foi ainda mais longe: "As palavras de Gianni Infantino soam irresponsáveis, para não dizer infantis. Despegam o futebol de uma realidade na qual crianças estão a ser assassinadas. Deixem-me recordar-vos que, desde o início da agressão de escala total da Rússia, mais de 650 atletas e treinadores ucranianos foram mortos por russos".
"Entre eles, estão mais de uma centena de futebolistas. Um exemplo é Illia Perezhogin, um aluno do décimo ano de uma escola de Mariupol, que estava, simplesmente, a jogar futebol, no estádio da sua escola, quando um míssil russo caiu. A ex-jogadora de futsal Viktoriia Kotliarova foi morta, juntamente com a sua mãe, durante o bombardeamento de Kyiv, a 29 de dezembro de 2023", atirou.
"Ela foi campeã da Taça de Futsal Estudantil de Kyiv e vencedora do torneio estudantil de Dínamo. A guerra é um crime, não é política. É a Rússia que politiza o desporto e o usa para justificar a agressão. Eu partilho a posição da Federação Ucraniana de Futebol, que também alerta contra o regresso da Rússia às competições internacionais", prosseguiu.
"Enquanto a Rússia continuar a matar ucranianos e a politizar o desporto, a sua bandeira e símbolos nacionais não têm lugar entre pessoas que respeitam valores como a justiça, a integridade e o 'fair play'", completou.
Gianni Infantino’s words sound irresponsible — not to say infantile.
— MatviiBidnyi (@bidnyi_matvii) February 2, 2026
They detach football from the reality in which children are being killed.
Let me remind you that since the start of Russia’s full-scale aggression, more than 650 Ukrainian athletes and coaches have been… pic.twitter.com/OK31RjOU1v
Leia Também: Gianni Infantino defende fim de veto às equipas russas













