Dealema fazem celebração de "96 ao Infinito" esta semana no Coliseu do Porto

  • 19/02/2026

No palco do Coliseu do Porto, que pisam pela primeira vez para um espetáculo em nome próprio, os Dealema vão mostrar "passado, presente e futuro", num concerto "especial, com bastantes ingredientes".

 

"Vamos viajar pela nossa obra, mostrar um pouco da obra nova [o álbum "96 ao Infinito", editado no dia 13] e acrescentar uma textura de que as pessoas não vão estar à espera", disse Mundo Segundo, um dos cinco elementos do grupo, em entrevista à Lusa.

Além dos cinco Dealema - DJ Guze, Expeão, Fuse, Maze e Mundo Segundo -- haverá convidados, cujos nomes permanecem em segredo.

Trinta anos depois de terem começado, os Dealema apresentam-se, naturalmente, com mais idade, quase nos 50 anos de vida, mas "com a mesma pica, a mesma vontade de criar e o mesmo entusiasmo" que tinham no final dos anos 1990, garantiu Maze na mesma entrevista.

Os 30 anos de carreira dos Dealema começam a ser contados a partir de "Expresso do Submundo", o primeiro EP que gravaram, em cassete, e distribuíram de mão em mão, no Porto e em Vila Nova de Gaia, cidades de onde são originários.

Então adolescentes, juntou-os a paixão por uma cultura - Hip-Hop - que dava os primeiros passos em Portugal, recordaram Fuse, Maze e Mundo Segundo.

Antes de formarem o 'pentágono', Mundo Segundo e Guze eram os Factor-X e Expeão e Fuse os Fullashit. Maze já escrevia rimas que partilhava com amigos.

Chegarem uns aos outros foi fácil: Mundo Segundo, que jogava basquetebol com Maze, estudava no mesmo liceu que Guze e Expeão, que era vizinho de Fuse.

"Começámos a juntar-nos várias vezes, quer no Bloco 24 (em Ramalde, no Porto), quer no Segundo Piso (em Vila Nova de Gaia), para fazer música. Começámos a ter algumas músicas, e a determinada altura percebemos 'se calhar podemos ser uma banda, podemos funcionar os cinco juntos'. Não foi nada premeditado", contou Maze.

Unia-os "a mesma paixão pela cultura Hip-Hop", e como já criavam todos juntos, no mesmo espaço, não fazia sentido terem projetos separados, e "naturalmente nascem os Dealema", referiu Mundo Segundo.

O nome do grupo, a definição de uma identidade, da sonoridade e do que queriam dizer surgiu também "de uma forma muito natural, da experimentação de jovens adolescentes apaixonados pela Arte", acrescentou Maze.

Na altura, as principais referências que tinham chegavam dos Estados Unidos, sobretudo de Nova Iorque, por isso ainda experimentaram cantar em inglês, enquanto Freestyle Assassins. As rimas dos Dealema foram sempre em português.

À época não lhes passava pela cabeça imaginarem que um dia poderiam fazer do rap profissão.

"Sabíamos que nos Estados Unidos era possível, porque havia bandas de que gostávamos que viviam disso, mas nunca sequer imaginámos que fosse possível cá. Reuníamo-nos e estávamos a ouvir essas bandas, a decorar as letras, a perceber o que queriam dizer, a partilharmos o que tínhamos percebido. E a tentar replicar isso em português, da nossa forma", partilhou Maze.

Os três falam na magia da descoberta e da vontade sentiam de partilharem uns com os outros tudo o que iam conhecendo e descobrindo: "O que vivemos na altura espelhou também o mundo dos anos 1990, a nível tecnológico, político social. E o mundo mudou muito para os dias de hoje", lembrou Fuse.

Mundo Segundo aponta a altura em que os cinco se conheceram, como "o melhor momento" dos últimos 30 anos: "porque senão nem estávamos aqui todos a ter esta conversa".

Maze e Fuse concordam que o nascimento do grupo é um dos melhores momentos do percurso, e acrescentam outros.

"Quando lançámos o primeiro álbum ['Dealema' em fevereiro de 2003] andámos na estrada o ano todo, e de repente percebemos que podemos fazer rap e tocar para muita gente. E isso alimentou-nos muito", referiu Maze.

É a esse ano que Fuse vai buscar outro momento: "a sensação da primeira vez que atuámos em Paredes de Coura [no festival], aquela sensação de estares num festival, olhares para a frente, veres toda a gente de braços no ar e dizeres 'temos uma legião de fãs, que não é só no Porto'".

O pior momento é algo que Maze vê espalhado ao longo dos últimos 30 anos. "Todos os momentos em que não conseguimos viver da Arte. Se tivéssemos garantido muito cedo que só fazíamos isto, ainda íamos editar muito mais discos, enquanto coletivo e individualmente, do que o que fizemos. E temos uma discografia muito vasta, se juntarmos tudo, mas ainda tínhamos potenciado de outra forma a nossa vontade de criar", disse.

Mundo Segundo fala em algo comum a todos os criadores: "quando a inspiração não surge". "Quando queres criar e não tens nada para criar, porque não te sai nada. Acho que essa é a pior fase que qualquer artista pode passar", referiu.

O primeiro álbum dos Dealema, homónimo, saiu pela NorteSul, selo da editora Valentim de Carvalho. Fora isso, todos os outros foram editados de forma independente, algo de que nunca se arrependeram.

"Foi aquilo que nos definiu. [Mas] foi muito importante o primeiro disco [ter saído por uma editora], para nos definirmos como artistas e para experimentar, saber o que é termos determinadas ferramentas à disposição, percebermos o que somos capazes de fazer", disse Fuse.

A ligação com a NorteSul permitiu-lhes também "perceber como a indústria funcionava", acrescentou Maze.

"De repente caiu-nos uma bênção muito grande em cima, quando a editora não aceita o direito de opção do segundo disco, por achar que comercialmente não funcionávamos. E percebemos 'estamos por nós outra vez. Mas agora já temos 18 anos [atingimos a maioridade]'", contou.

O segundo álbum, "V Império", "vendeu muito mais que o primeiro", dando aos cinco a certeza de que estavam "a seguir um caminho que realmente fazia sentido", lembrou Mundo Segundo.

Em 2011, chegou "A Grande Tribulação", em 2013 "Alvorada da Alma" e, 13 anos depois, "96 ao Infinito", álbum que, tal como o concerto do Coliseu do Porto, traça a história dos Dealema.

Nos dez temas que compõem o disco, alguns regressam a um período em que fizeram "temais mais orquestrais, com o foco na rima e na técnica, um som mais pesado e mais 'underground'".

"Aí estamos a ir lá atrás. E depois temos temas um bocado mais introspetivos e emocionais, e a falar de temas mais atuais. E estamos a focar e a tocar mesmo no presente, no que as pessoas estão a viver. Ao mesmo tempo estamos a experimentar coisas novas e reinventar-nos de forma sonora, na forma como construímos as nossas rimas também, a apontar para o futuro, e a deixar claro que ainda temos muito caminho pela frente. O próprio nome do disco assim o indica", afirmou Maze.

"96 até ao Infinto" - que remete para o álbum dos Souls of Mischief, "93 'Til Infinity", editado em 1993, na "época dourada do hip-hop" -- representa tudo o que os Dealema já criaram, vão continuar a criar, mas também o legado que deixam, explicou.

Mundo Segundo refere que no álbum está "a espinha dorsal dos Dealema", com "qualquer coisa de fresco". "O que é difícil é reinventares-te e soar a fresco sem perderes a tua identidade", disse. E os Dealema acreditam que continuam a conseguir fazê-lo.

Embora tenham estado os últimos 13 anos sem editar, mantiveram-se sempre ativos, continuando a subir a palco de forma frequente.

Além disso, ao longo dos anos, os vários elementos editaram álbuns, EP e 'mixtapes' a solo ou em colaboração ou outros artistas.

Nos últimos dois anos, os cinco sentiram "o entusiasmo" de fazerem um novo álbum juntos. "Deixámos que fosse natural, como fazemos sempre. Nunca seguimos 'timings' da indústria", apontou Maze.

Em 2026, continuam a sentir-se "relevantes". "Vimos colmatar uma ausência deste tipo de rap, deste tipo de mensagem, que era necessário trazer", referiu Mundo Segundo.

Os adolescentes que no final dos anos 1990 iam aos concertos já levam agora os filhos. "O público vai-se renovando e esperamos que a nossa mensagem e a nossa música sejam relevantes para os netos das pessoas que começaram a ouvir-nos na adolescência", disse.

Além do público em Portugal, os Dealema têm desde o início "um vínculo muito especial" com os PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), sobretudo Angola e Moçambique.

Mundo Segundo partilha que o 'feedback' de ouvintes desses países "é quase diário" nas contas do coletivo nas redes sociais.

"É muito bom perceberes que há pessoas que nunca estiveram contigo, nunca foram a um concerto e têm um carinho muito especial pelo grupo. É um sítio onde temos de ir um dia, especialmente Angola e Moçambique", partilhou.

O concerto no Coliseu do Porto será único, mas todos os que acontecerem ao longo do ano "serão de celebração" dos 30 anos de carreira de um grupo de cinco amigos que adoram fazer música e que, enquanto fizer sentido, irão fazê-lo "enquanto a voz permitir".

Leia Também: U2 lançam novas músicas que incluem críticas a Putin e ao ICE

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/cultura/2941675/dealema-fazem-celebracao-de-96-ao-infinito-esta-semana-no-coliseu-do-porto#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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