Da promessa de Mourinho ao hino. Os bastidores do cerco ao Benfica Campus
- 25/01/2026
O Benfica Campus foi, este sábado, palco de momentos de grande tensão, quando cerca de 200 adeptos montaram um autêntico cerco ao recinto, exigindo explicações à direção liderada por Rui Costa quanto à crise desportiva que se assolou sobre o clube, que culminou em três derrotas (todas elas comprometedoras) ao cabo dos quatro últimos jogos.
Já este domingo, o jornal A Bola traz a público novos detalhes sobre aquilo que se passou, no Seixal, na véspera do encontro da 19.ª jornada da I Liga, ante o Estrela da Amadora, no Estádio da Luz. Esta foi uma clara manifestação de desagrado por parte da massa associativa encarnada, pela qual os responsáveis até já aguardavam, até porque tinham evitado uma semelhante, há menos de um mês, após a eliminação da Taça da Liga, diante do Sporting de Braga.
A estrutura das águias, pode ler-se, estava de sobreaviso para a eventualidade de algo do género vir a ocorrer, motivo pelo qual, desde bem cedo, foi notada a presença da Polícia de Segurança Pública (PSP) à porta das instalações, que acabou, ainda assim, por ser reforçada, à medida que os ânimos se foram exaltando.
O presidente, Rui Costa, não estava no local, mas, quando foi alertado para o que se estaria a passar, autorizou a entrada, primeiro, de quatro representantes do grupo, e, mais tarde, de todos os seus elementos, que tiveram a oportunidade de se reunirem com o diretor geral, Mário Branco, o diretor técnico, Simão Sabrosa, o treinador, José Mourinho, e o lote de capitães formado por Nicolás Otamendi, António Silva, Fredrik Aursnes e Tomás Araújo.
O Special One acabou, de resto, por ser o elemento mais interventivo, e, depois de ouvir as preocupações dos adeptos, elencou, ele próprio, uma série de justificações para os recentes maus resultados, entre elas, as lesões que têm vindo a assolar o plantel e algumas arbitragens mais infelizes, antes de pedir paciência.
O técnico português terá, ainda, prometido que iria "dar a vida pelo Benfica" e dar a volta à situação, acabando por garantir um 'balão de oxigénio' perante os mais descontentes com o rumo que o clube está a seguir. Assim que a conversa terminou, o grupo entoou o hino, a alto e bom som, antes de sair ordeiramente, gritando "Acabou o cerco".
Os agentes da autoridade coordenaram a dispersão do grupo, e pediram a alguns jogadores que aguardassem antes de deixarem o Benfica Campus. Estes acataram as ordens, e só instantes mais tarde partiram para as respetivas casas, sendo que Nicolás Otamendi e Sidny Lopes Cabral (assim como José Mourinho) ainda pararam para dar autógrafos e tirar fotografias.
José Mourinho em silêncio
O contorno mais bizarro de todo este episódio acabou, ainda assim, por surgir cerca de hora e meia depois do início do mesmo. José Mourinho, que optou por não realizar uma conferência de imprensa, fez o lançamento do Benfica-Estrela da Amadora à BTV... sem que tenha prestado uma única palavra sobre o que acontecera.
O Benfica, por seu lado, esclareceu o sucedido, em forma de comunicado: "Um grupo de adeptos do Sport Lisboa e Benfica deslocou-se nesta manhã de sábado, 24 de janeiro, de forma espontânea e pacífica, ao Benfica Campus, no Seixal, tendo sido convidado e autorizado a entrar por parte do Diretor-Geral, Mário Branco, o qual promoveu um encontro no qual estiveram igualmente presentes o Diretor-Técnico, Simão Sabrosa, o Treinador, José Mourinho, e os Capitães de equipa, Nico Otamendi, António Silva, Fredrik Aursnes e Tomás Araújo".
"A conversa, na qual tomaram a palavra os representantes do grupo de adeptos e também Mário Branco, José Mourinho, Simão Sabrosa e Nico Otamendi, decorreu num ambiente de enorme respeito, cordialidade e espírito construtivo, terminando com a garantia de reforço do compromisso de união que, mais do que nunca, deve imperar nesta fase, perante os desafios que se colocam ao SL Benfica até final da época", completou.
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