Da junta partida a portugueses: Novos detalhes da "catástrofe" em Espanha
- 20/01/2026
Novos detalhes continuam a surgir sobre o acidente ferroviário que ocorreu, no domingo, no município de Adamuz, em Córdoba, Espanha, nomeadamente, o facto de entre os passageiros que seguiam nos dois comboios que colidiram, estarem dois portugueses. Sabe-se que, até ao momento, o número de mortes subiu para os 41 e que permanecem hospitalizadas 41 pessoas, incluindo um menor.
O acidente aconteceu no domingo, por volta das 19h45 locais (18h45, em Lisboa), quando algumas composições de um comboio da empresa privada Iryo, que ligava Málaga a Madrid, descarrilaram e invadiram outra via, num momento em passava outro comboio, em sentido contrário, da empresa pública Renfe, que fazia a ligação Madrid-Huelva.
Na segunda-feira, a equipa especializada que está a cargo da investigação do descarrilamento encontrou uma junta partida que ligava partes dos carris no local do acidente.
De salientar que, na segunda-feira, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, decretou três dias de luto em Espanha, que começam hoje e terminam na quinta-feira.
Número de mortes aumenta (e dezenas continuam internados)
O número de mortos no acidente ferroviário subiu para 41, adiantaram, na segunda-feira à tarde, as autoridades locais.
Por outro lado, 41 pessoas continuam internadas em diversos hospitais da região, 12 delas em unidades de cuidados intensivos, incluindo uma menor de idade, indicou o governo regional da Andaluzia. Até ao momento, 81 pessoas que foram assistidas já tiveram alta hospitalar.
Sobre o número de vítimas mortais, o ministro dos Transportes, Óscar Puente, referiu que o número até agora confirmado poderá não ser o definitivo.
Ministério dos Negócios Estrangeiros: Portugueses "estão bem"
Ao final da tarde de segunda-feira, chegou a confirmação, por parte do ministério dos Negócios Estrangeiros, que dois portugueses estiveram envolvidos no descarrilamento dos dois comboios no sul de Espanha.
Fonte do ministério confirmou que ambos os portugueses se encontravam bem, sendo que o segundo português chegou a ser assistido no hospital Reina Sofía de Córdoba.
Junta de carril partida encontrada no local
Foi encontrada uma junta de carril partida na zona do descarrilamento de dois comboios de alta velocidade em Adamuz. A agência Reuters explicou que os técnicos ao analisarem a zona do acidente identificaram algum desgaste na junta entre duas secções do carril, que indicava que a falha já existia há algum tempo.
A junta defeituosa criava uma abertura entre as duas partes do carril que, à medida que os comboios de alta velocidade circulavam, ia ficando cada vez maior. Assim sendo, é possível que esta falha entre as duas secções possa estar por detrás do que levou ao descarrilamento dos dois comboios de alta velocidade.
Menina de seis anos escapa (quase) ilesa. Pais, irmão e primo morreram
Com o passar das horas, vão surgindo relatos e novas histórias daqueles que sobreviveram ao acidente ferroviário. É o caso de uma menina de seis anos que foi encontrada já durante a noite por dois socorristas a vaguear pelos destroços.
A menina de seis anos estava numa viagem de lazer com os pais, o irmão de 12 anos, e o primo, de 23 anos. Tinham ido os cinco até à capital espanhola para ver o Real Madrid, do qual eram adeptos, defrontar o Levante, no sábado - e saíram do jogo de alegres com a vitória do seu clube por dois golos.
No domingo, embarcaram no comboio de alta velocidade da empresa pública Renfe que os levaria de volta a Huelva, onde viviam, sem saber o que os esperava. Após o embate, a criança de seis anos terá conseguido sair do comboio destruído por uma janela, conta o El Mundo.
Da família de cinco que foi até Madrid apenas uma regressou com vida, a menina.
"Catástrofe". O testemunho de quem esteve a ajudar no local
Quando às 21h30 de domingo Javier Mesones chegou ao apeadeiro de Adamuz, em Córdoba, viu "uma catástrofe" feita de "ferro por todo o lado" e "pessoas a gritar".
"Fui com um amigo numa moto 4x4 para dar uma ajuda. Retirámos 15 feridos das vias e do aterro, que transportámos numa plataforma na parte da frente da 4x4 até à zona onde estavam as ambulâncias", contou à agência Lusa, na praça central de Adamuz.
"Havia ferro por todo lado. Só via ferro. Vi cadáveres, ouviam-se as sirenes, fazia muitíssimo frio, as pessoas a gritar. Havia também muita gente a trabalhar, muitos bombeiros, polícias, guardas civis", descreveu.


















